Houve um tempo recente em que a Ordem dos Advogados do Brasil era uma instituição com seus objetivos limitados. Sua missão era quase duvidosa, acusada de ser restritiva ao corporativismo como são todos os órgãos de classe.
Mas quando as injustiças passaram a clamar por reparos contra atos de violência jurídica praticados pela arbitrariedade em períodos, os quais Saulo Ramos chamou-os de patologia constitucional, a OAB concluiu que competência para exercer as suas obrigações sociais não eram aquelas que ela fazia questão de limitar.
Mas sem dar relevância a essas mudanças, e muito mais pela adoção conservadora de eleger o candidato da XI de Agosto, escolhemos José Lúcio Glomb para presidente. Em pouco tempo, nossa classe foi descobrir que a imposição conservadora nos ofereceu José Lúcio Glomb, um presidente que parece ter saído de um poema de Fernando Pessoa: “Para ser grande, sê inteiro”. E Glomb foi imenso, porque não amarrou seus atos a convenções protegidas, não transigiu com interesses poderosos e pôs a nossa classe nas ruas.
Denunciou, combateu, enfrentou instituições intocáveis, conciliou, inovou, tornou mais respeitados os advogados. Da grandeza surge a sorte para o homem. Glomb foi tão grande que teve a sorte de encontrar um sucessor de atributos inesgotáveis: Juliano Breda, candidato tão perfeito, que parece ter sido feito sob medida. Breda é o que Nietzsche conceitua como “homem de instinto bom”.
De tão especial na classe, vai mudar a história das eleições da nossa OAB: reverenciado pela oposição, será candidato único. Na próxima segunda-feira minha classe de advogado terá que ir votar com orgulho em Juliano Breda e despedir-se com veneração de José Lucio Glomb.
De primeira
O São Paulo perdeu o último recurso no Tribunal Superior do Trabalho pelo qual tentava recuperar Rafinha, do Coritiba. O advogado do craque foi Henrique Richter Caron. Tal sogro, tal genro.