Chavões

Não gosto de chavões. Em regra, são expressões desgastadas por serem repetitivas. Mas alguns, às vezes, são inevitáveis. Um deles, talvez o mais cansativo, é quando se usa a expressão “divisor de águas” para dar importância a um dado momento como referência de futuro.

Uso essa expressão para dar a exata noção da importância desse jogo do Atlético, na Baixada, contra o Vitória. O time baiano continua se batendo na zona de rebaixamento. Esse estágio já sugere ser um time de poucos recursos técnicos. Dentro da lógica do futebol, o Atlético seria o favorito, o que em tese, lhe daria a obrigação de ganhar. Mas a importância do jogo, em especial de uma vitória, ganhou outra dimensão: o Furacão, a cada rodada, está caindo uma posição. E o que é pior: a diferença para o primeiro da zona de queda caiu para 5 pontos. Essa tendência de queda é objetiva, resultado de números: há seis jogos o Atlético não ganha.

Um novo fracasso, principalmente pelas circunstâncias (contra o Vitória e na Baixada), vai começar afogar os atleticanos com angústia de ter que lutar para não cair.

Mas essa verdade, não me afasta o otimismo criado pelo razoável jogo que o time fez em Porto Alegre na derrota para o Grêmio. Revelou evolução no seu jogo a partir da posse de bola, elemento estranho até então. Se há dúvida é a falta de qualidade individual. Sempre há uma falha na defesa que se torna fatal e o meio campo, sem nenhum poder de criação, mata Marcelo e seu companheiro, seja quem for. Talvez a saída de Marcos Guilherme por suspensão, venha ajudar o treinador a dar outra alternativa.

O Atlético joga com a obrigação de ganhar. Não pode, na divisão de águas, ficar com a turva.

Crise

O jurista Gilson Amaro Fernandes, meu amigo querido, prega uma verdade: “Dinheiro pode não trazer felicidade, mas acalma os nervos”. Um fato ontem estancou a crise no Coritiba por falta de pagamento de salários. É que a Rede Globo concordou em antecipar certo valor por conta dos direitos de televisão.

Com os nervos mais calmos, os coxas jogam hoje em Santos, com o sonho de finalmente sair da zona de rebaixamento. E joga contra um clube em crise técnica, e por isso pressionado pela torcida.

Antes de terminar, quero escrever uma linha sobre o caso do avante Giancarlo, que levou a chuteira e a escova de dentes para o CT do Coritiba e não ficou. Desconheço o fato verdadeiro que motivou a crise. Mas qualquer que seja a razão do jogador, ela ficou duvidosa depois da entrevista do seu empresário Marcos Amaral. Simplesmente constrangedora.

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