Causas conflitantes

Nada mais justo do que dar razão aos atleticanos pela reação quase chorosa contra os erros da arbitragem. Mas não se esqueçam de que a verdade mais dura está dissociada deste fato: a derrota no Beira-Rio necessariamente atrelada aos antecedentes do time neste campeonato, foi absolutamente normal e previsivel. E nem mesmo os erros do árbitro, e nem mesmo que esses erros tenham sido premeditados, não é possível se vincular a sua presença entre os quatro últimos, apenas pela eventualidade no Beira-Rio. É preciso, para o próprio bem do Atlético, separar as coisas.

E foi além: os erros do árbitro no Beira-Rio, mesmo que tenham sido voluntários, não foram maiores do que os equívocos que o Atlético pratica no seu futebol há algum tempo. E esses equívocos não se manifestam por posições isoladas, mas por fatos incontroversos: o Atlético já está no seu terceiro técnico em 2007, o que implicou na diversificação de comissão técnica, portanto de idéias e execução de projetos. Se a mudança é por derrotas, os jogadores ficam ambientados em um estado de insegurança e de precariedade técnica, física e individual. É fácil presumir ser impossível ter um time estabilizado nessas circunstâncias. Principalmente se o time é fraco individualmente, refém de um projeto enganoso no futebol, incapaz de revelar um único grande jogador por temporada. O Atlético no futebol é um deserto de idéias.

A construção da Arena e do CT do Caju exaltam a grandeza para se dar materialidade às idéias. A lucidez e a coragem para a execução desses projetos não existiram sem o dinheiro. O desafio está na materialização da idéia que depende da capacidade de discernir o que é bom e o que não é bom. E aí depende muito mais da competência do que do dinheiro. O grande exemplo é o próprio Atlético: o time campeão de 2001 se formou mais pelo exercício da competência do que pelo dinheiro, que aliás era muito pouco em razão da construção da Arena.

É muito cômodo esquecer a causa principal porque ela alcança o péssimo comando no futebol dessa administração que se eterniza, para estimular como causa um fato, embora verdade, mas absolutamente eventual e isolado dentro do conjunto.

Estimula o erro de arbitragem como se em condições normais pudessem ganhar em qualquer lugar. Mais perigoso que os árbitros é um time que sonha com um esquema de jogo tendo Edno e Jancarlos como alas, Claiton como armador e Marcelo como atacante.

O inimigo a ser vencido não está só no apito e no interesse do sistema central. Bem analisado, está no próprio Atlético. Basta enfrentá-lo.

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