O melhor executivo da administração no futebol brasileiro, em matéria de documentação de atleta, é Márcio Silva, do Atlético. Tem as duas virtudes fundamentais: conhece todas as normas que regulam a transferência e o registro do atleta e é honesto. Exalto a honestidade de Márcio porque é a função no futebol que não permite o desvio de comportamento, voluntário ou não. É neste setor que está o maior patrimônio do clube, que são os direitos federativos sobre o atleta. Não se tem notícia de que alguma vez, com Márcio, o Atlético perdeu o direito sobre algum jogador por equívoco administrativo.

Lembrei de Márcio, a propósito do caso do jogador Morais, a grande contratação que o Atlético fez. Consta que Morais assinou, também, um contrato com o Cruzeiro, passando a correr o risco de ser suspenso por seis meses.

Não é bem assim. Um contrato, para ser de acordo com a lei, não basta receber a assinatura do atleta. É imprescindível uma formalidade: a cessão desses direitos pelo clube de origem. No caso de Morais, o contrato com o Cruzeiro não se formalizou, pois a Portuguesa Santista não procedeu a transferência dos direitos sobre o atleta. Ao contrário, no contrato com o Atlético, a Portuguesa anuiu expressamente e autorizou a transferência do jogador. Morais ficará no Atlético, sem dúvida. Resta saber se será suspenso.

Volto ao ano de 1989, quando fui chamado pelo falecido Emil Pinheiro, então presidente do Botafogo, para tratar do caso de Carlos Alberto Dias. O craque tinha assinado, também, com o Flamengo. Só que prevaleceu o contrato do Botafogo, porque o Coritiba, que era o dono do “passe”, fez a transferência ao clube de General Severiano.

Denunciado por assinar dois contratos, Carlos Alberto Dias foi absolvido. Aleguei na época que o atleta não agiu com má-fé, pois ficou provado que, antes do Botafogo, o Coritiba havia tratado com o Flamengo. Houve uma espécie de indução a erro ao jogador. O caso de Morais tem semelhança. A Portuguesa Santista tratou da cessão com o Cruzeiro.

Com o brilhante advogado Gil Justen Santana, o Atlético manterá Morais sem punição. É isso aí.

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