Caso de polícia

Confirmado o que antecipei aqui: o caso do menino Vinicius Jaú, a mais forte vocação de gol que surgiu na base do Atlético, foi acabar no 13º Distrito Policial.

O caso, bem resumido é o seguinte: Jaú veio de Santa Catarina ainda criança para o CT do Caju, trazido por seu empresário Robertinho, o mesmo que havia indicado Nathan. Bem cedo, tornou-se a atração do CT pelas suas virtudes traduzidas em gols. Em todas as convocações das categorias de base da CBF esteve e está presente.

Mas o vínculo de Vinicius com o Furacão é precário não indo além de uma ficha de formação.  Era preciso um contrato de trabalho, mas para isso o clube teria que aceitar as condições do jogador. Ocorre que o Atlético colocou Márcio Lara para negociar. Lara negociando é um elefante cuidando de uma loja de cristais. Desconfiado que o menino estivesse gravando a conversa, arrancou o celular de sua mão, obrigou-o a digitar a senha, e apagou o que supostamente havia sido gravado. Resultado: Vinicius denunciou o caso no 13º Distrito Policial, e orientado pelo Conselho Tutelar, fez uma queixa para o Ministério Público do Trabalho, e o caso deve chegar a Polícia Federal. Vinicius Jaú, a sua família e o empresário Robertinho ganharam a razão a partir do momento em que o direito do clube quis ser imposto pela ameaça e o ato de violência praticado por Márcio Lara. Não é coincidência, que de uma forma ou de outra, isso já havia ocorrido com Manoel, e depois com Nathan, sem ignorar o exemplo clássico de Dagoberto.

O Atlético tem muitas dificuldades no trato com as suas revelações de ponta. E não é por falta de direito, porque esse se não é expresso na lei, pode ser interpretado, inclusive usando-se lado moral porque nesses jovens ele investiu. Isso ocorre por dois motivos: o primeiro é a idéia de que dentro do clube tem alguém com um interesse específico. Todos que vão negociar com o Atlético o fazem com reservas e desconfiança; o outro, a sua incapacidade de interpretar e lidar com as normas, que comandam a relação entre atleta e associação.

O noticiário do Atlético é triste: um dia, a ameaça de penhora de todo o seu patrimônio, no outro denúncia na polícia por violação de direitos do menor.

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