Ricardo Teixeira, presidente da CBF e chefe supremo do Brasil na Copa do Mundo, já era caso de polícia. Agora, bem que poderia virar caso de governo. Não é razoável que o governo federal assista sem reagir à banalização e o desgaste do futebol como elemento catalisador e mobilizador do povo. O futebol como fator de identidade nacional, cuja construção exigiu mais de 100 anos, é um dos integrantes mais importantes de nossa cultura. O futebol é um valor que ninguém pode dispor.
Teixeira se protege no caráter de entidade privada que tem a CBF. E que, por isso, qualquer intervenção estatal levaria o futebol brasileiro a ser punido pela Fifa. É uma ofensa à honestidade. Não se pode dissociar Ricardo Teixeira do interesse e, em especial, do dinheiro público. O Estado brasileiro irá investir até 2014 uma quantidade ainda imprecisa de bilhões de reais. Uma boa parte, direta ou indiretamente, passará pelo Cômite Organizador da Local da Copa, do qual ele é presidente.
O elemento fundamental que é a confiança no investimento estatal deixou de existir. Depois da Copa do Mundo, quando todos forem obrigados a fazer uma prestação de contas, o governo para investigar terá que pedir uma carta rogatória para Miami.
Negócios novos
O empresário de jogador Juan Figer, se ainda não foi, logo será notificado pela Fifa. Terá que explicar como ocorrem os seus negócios usando o Clube Atlético Rentista, do Uruguai. As suspeitas contra Figer, que já haviam sido levantadas pela CPI do Futebol, em razão dos seus negócios com o Clube Atlético Paranaense, agora são mais fortes, envolvendo o atacante Hulk, do Porto, além de Alex Silva, Thiago Carleto e Thiago Ribeiro.