Um dia desses, vendo as fotografias dos jogadores do passado do Atlético, encontrei você jogando no gol contra os Coxas: o corpo no plano horizontal, esticado no ar, quase em estágio de flutuação, já pertinho da bola. Quis saber se você a pegou ou mandou para escanteio.

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Fui à Boca encontrá-lo com os amigos do café das 13h: Biba, PH, Paulinho, Julio Gomel, Hermínio, Del Claro, Caibem, Miranda, Tonico e o Gabardinho.

Ninguém estava lá. Não entendia a razão da ausência, porque o Atlético tinha ganhado do Ceará e voltava a viver intensamente a ilusão de não cair. Foi quando alguém me falou: o Ivan está hospitalizado na Santa Casa.

E, no dia seguinte, outra vez o vazio na mesinha de entrada. Agora, sempre vazia.

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Sabe Ivan, você é para nós, os seus amigos da Boca, especial. Quando se trata de você, os sentimentos são mais fortes. É você com a sua bondade que nos atrai todos os dias para o mesmo lugar. Falar do Atlético, talvez, no fundo, seja um generoso pretexto para vê-lo. Nós, teus amigos, somos humanos. E por isso, uma ausência brusca, inesperada, maltrata e provoca angustia.

Não pude vê-lo. Queria contar-lhe de uma novidade: o Paulo Baier está fazendo o que você sempre quis: correr, mas também marcar. E voltou a fazer gol.

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O time melhorou, querido Ivan. E não é o canto do cisne. Acredite. Não é conversa para consolar, mas todos nós estamos desconfiados que vai se dar bem contra o Santos, no Pacaembu.

Esperamos você para o jogo contra os Coxas.

Um abraço, meu amigo. Mafuz