Carta a um Imortal

Querido Carneiro Neto,

Segunda, agora, dia 25, você vai assumir a cadeira 40 da Academia Paranaense de Letras. Quero tornar público o orgulho que sinto por você. Não por ser a única amizade que guardei entre os valores de minha infância em Guarapuava. Foi simples guardá-la, por conciliarmos os mesmos princípios de ideais e de vida. Nunca precisamos de tempo para acertar nossas distâncias, como pedia Fernando Pessoa aos seus amigos.

Exibo esse orgulho porque ele é precedente à sua consagração definitiva como jornalista esportivo e escritor. Seja humilde e acredite: sem a cadeira da Academia, você já era Imortal. A cadeira que vai ocupar é apenas um assento formal para uma vida brilhante, como é toda aquela construída e tocada por atributos pessoais extraordinários, e no teu caso, pegos do berço feito por Armando e Josefina, e que foram transportados em toda a sua extensão para a sua vida de escritor, jornalista e radialista.

No rádio, narrando futebol, você foi incomparável. As suas narrações das cabines da Baixada, então, eram tão especiais que a memória gravou, dispensando cassetes. Hoje, são lendas. Pesquisando e escrevendo, nos ofertou uma literatura preciosa e rara sobre o Atletiba, ajudando a preservar uma instituição imaterial que, ainda, é capaz de desperta a nossa ingenuidade adormecida, que é paixão pelo futebol; e o brilhantismo da narração dos casos da bola, da qual se extrai a ironia como virtude de sua personalidade. Esplendoroso em “Efabulativos”, nos remete à lição de Nelson Rodrigues: bom não é ler, é reler.

Meus respeitos, Imortal.

Rumos

Ao escolher Antonio Carneiro Neto para ocupar a sua cadeira 40, a Academia Paranaense de Letras dá uma bela lição de liberdade de escolha. Discriminatória, a Academia Brasileira de Letras sempre ignorou os grandes escritores e jornalistas esportivos, praticando injustiças.

Armando Nogueira, o maior de todos, escreveu: “Didi, homem esquivo, de chute oblíquo e dissimulado como o olhar de Capitu”. E a sua obra prima: “Se não tivesse nascido gente, Pelé terá nascido bola”. Sobrou para um pobre coitado: “Mafuz: reporter volante ou repórter intrigante?”.

E quando era a vez do saudoso Armando, a ABL preferiu Sarney.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google