Carisma

Com o passar dos anos, o jogador tem reduzido os seus atributos. Por mais que tenha sido craque, provoca desconfiança. Mas se é ídolo, mesmo que a natureza lhe imponha esses limites, uma coisa não perde: o carisma.

No esporte, em geral, e no futebol em especial, o carisma do ídolo não é necessariamente sinônimo de individualidade excepcional.

Os teólogos católicos explicam bem: o carisma, antes de tudo, é um dom que alguém ganha, sem saber, em um dado momento da vida, e inconscientemente, executa uma missão especial. Por exemplo: Nelson Piquet foi tão tricampeão na Fórmula 1 como Ayrton Senna. No entanto, Senna é quem tinha o carisma de provocar comoção pública.

O leitor, em especial o atleticano, já desconfia qual o ponto que quero chegar. É ele mesmo: Alex Mineiro. Não foi e nunca será o melhor jogador da história do clube, mas ídolo no Atlético como ele, ainda está para nascer por conta da execução perfeita da missão que lhe foi destinada em 2001.

Alex não tem mais o arranque, a força física e emocional, e o talento como naquele gol contra o São Caetano, na Arena, que foi área adentro, conduzindo a bola vinda do calcanhar de Souza. Mas alguma coisa ainda me diz que não perdeu o carisma, o dom para provocar alegrias inusitadas aos atleticanos.

O maior coxa-branca em campo, Dirceu Krüger, parecia já ter perdido toda a própria vida quando, em 1972, retornou ao time coxa para decidir o título com o Atlético. Jogou tanto, fez o gol do título, que parecia um enviado divino.

Alguma coisa me diz que Alex Mineiro voltará a ser um missionário neste Atletiba, de domingo.

De primeira: Não são poucas as mensagens e telefonemas que venho recebendo de ex-jogadores e familiares de ex-jogadores do Coritiba. Todos magoados pelo tratamento de desprezo nas festas do centenário. Voltarei ao assunto na próxima semana, contando uma história que está no livro sobre Puskas, que dará o nome ao troféu que a Fifa dará ao autor do gol mais bonito do ano.

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