Carências

Na Vila Capanema, o Atlético joga contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil. Se fosse possível passar direto, seria melhor ir para os Atletibas que decidirão o Estadual. É que vivemos só de ilusão em torneios nacionais. Nossa cultura de vitórias é pobre: dois títulos do Brasileiro produzidos pelo acaso (1985, Coritiba; 2001, Atlético). Sempre uma nova conquista fica condicionada a um fato que parece existir, mas que é ficção. Se em 2004, Levir Culpi tivesse em Erechim, contra o Grêmio, o carisma que Geninho teve em São Caetano (2001) o Atlético teria sido bicampeão do Brasil; se Marcelo Oliveira tivesse no Couto Pereira, contra o Vasco, em 2011, a capacidade que Ênio Andrade teve para comandar em 1985, o Coritiba hoje era o campeão da Copa do Brasil. Como se vê, nossas conquistas nacionais cabem num entre parênteses, sem hiato, pois se distanciam tanto que não conseguem compor uma história continua. E por muito tempo vai faltar esse detalhe.

Agora mesmo, o Atlético anuncia o centroavante Fernandão e o Coritiba o meia Chico. Fernandão é pior que Léo Mineiro, que é pior que Nieto, que é pior do que Bruno Mineiro. Chico, que não sabia jogar quando era do Atlético, desaprendeu ainda mais nos últimos tempos. Os dois foram dispensados pelo Palmeiras, sem ônus, por serem quebradores de bola. E não há nenhum grande time pior no Brasil do que o do Palmeiras.

E nós, assim, ficamos como eternos reféns da esperança.

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