Cardeais

Da desgraça vem a união, da humilhação a solidariedade. Os senhores Aramis Tissot, Darcy Pianna e Dílso Rossi participarão como candidatos na eleição do próximo novembro no Paraná.

Apresentados pela imprensa como cardeais, revelam presunçosos a condição de sábios bíblicos de carregar o segredo de soluções futuras para o clube, que eles direta ou indiretamente, em especial por omissão, ajudaram a empurrar para essa decadência. A presunção, às vezes, como é no caso, ao invés de pecado, torna-se uma virtude.

Embora seja uma falácia que tenham o segredo para a salvação, a presença dos três dá no mínimo um alento ao clube, que corre o risco de ter que adotar outra vez o código ético do professor Miranda. Tissot, Pianna e Rossi são pessoas importantes não pelo patrimonio material, mas pelo regramento moral de conduta.

O fato de se apresentarem ao Paraná já é relevante, pois afasta Miranda, que continua praticando um populismo barato, como se a censura ética que recebeu dos conselheiros se esgotasse no prazo estatutário. Readquirir a legitimidade da lei não implica em ter o direito de ser presidente, porque certos cargos, como é a de presidente do clube do coração, não prescindem da legitimidade moral, pressuposto indisponível para ter o direito de ação.

Entre o céu e o inferno fica a atual diretoria, que tinha duas opções quando assumiu: ser populista usando o futebol ou revelar-se “incapaz” na bola, em beneficio da instituição. Com a atual discriminação que existe na divisão do dinheiro no futebol brasileiro, são poucos os clubes que podem fazer as duas coisas. A diretoria de Aurival saneou o clube, e se existe algum remanescente oneroso, vejam que coincidência, é do tempo dos “cardeais”, o que é irrelevante por ser inerente a qualquer administração que trata com personalidades heterogêneas.

Agora vem a grande dúvida: qual é a proposta dos “cardeais”?

Amanhã eu volto ao assunto.

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