O fato: Segunda, dia 4 de outubro, vinte conselheiros e sócios do Atlético que integram o “CAP Gigante”, reuniram-se na Baixada para discutir os planos da reeleição de Mário Celso Petraglia para a presidência do clube.

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Não houve reunião, mas apenas audiência: Petraglia falando e os outros ouvindo. O presidente afirmou que não é candidato a nenhum cargo nas próximas eleições, que não irá indicar e não irá apoiar ninguém, que está convencido que “nós não sabemos fazer futebol”.

Os ouvintes que já estavam perplexos ficaram estarrecidos quando Petraglia afirmou, que não é candidato, e que sente desconforto o (a expressão usada teria sido “sinto náuseas”) quando tem que ir ao Atlético. E que só vai para cumprir o que acha serem as suas últimas obrigações, que são de deixar o Atlético na Série A do Brasileiro e formalizar o acordo com o poder público de divisão tripartite da conta da construção da Baixada, o que ocorrerá até o final deste ano.

Quem conhece Petraglia sabe quando atua com olhares oblíquos e dissimulados da Capitu de Machado de Assis. Não obstante conhecê-lo bem, recorri a um amigo querido e atleticano histórico, que já esteve no Atlético fazendo e construindo. Nosso diagnóstico é de que Petraglia desta vez não está criando artifícios para continuar no comando do maior clube do Paraná. E nem seria necessário, porque (essa é a minha opinião) diante de uma oposição secundária, como a de Judas Tadeu, e outra inexistente e midiática como a de Henrique Gaede, seria reeleito sem precisar sair de casa.

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Há uma lógica para acreditar que essa vontade de Petraglia não é falsa, que é a sua vontade real. Nunca negou que não gosta de fazer futebol como esporte, mas como negócio. Quando voltou em 2011, tinha como objetivo único construir a Baixada para o Atlético usando os benefícios da Copa do Mundo. A contratação de Cristóvão Borges para comandar o time nos últimos nove jogos foi para não aumentar o risco do pior, que é um rebaixamento. Se não houvesse risco matemático, o técnico seria o português Vieira até a última bola. E compondo a dívida da construção com o poder público, a obrigação direta e solidária do Atlético estaria dentro do limite prometido por ele: 70 milhões de reais.

A pergunta: o que significa a ausência voluntária de Petraglia das eleições do Atlético?

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É assunto para o resto do ano.