Capacete de peão

Só uma pergunta: o que pensam Luciano Ducci, prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, e Beto Richa, governador do Paraná, sobre a crise aberta pela requisição do estádio Antônio Couto Pereira para o Atlético jogar?

Com a comodidade que interessa a todos os políticos mandarão dizer que o problema é só do Atlético. É do Atlético, mas é, também, dos poderes estatais que requisitaram a Arena da Baixada para a Copa do Mundo. O benefício que o clube terá é relativo, pois além de perder sócios – principal fonte de arrecadação – ficará com um passivo de quase 100 milhões de reais, que por mais bem gerenciado que seja vai influir na vida do clube por algum tempo. Por 30 milhões de reais, o Furacão já teria encaminhado a finalização da Baixada pelo projeto original.

Tem-se, então, que muito mais que um choque de rivais ou um negócio comercial mal encaminhado, a crise, também, é institucional: de um lado, o Atlético, com seu estádio requisitado pelo poder público para atender um interesse de natureza essencialmente político; do outro lado, o Coritiba, que está sob ameaça de ter o seu direito de proprietário violado pela Federação Paranaense de Futebol.

Em São Paulo, Alckmin e Kassab sempre estiveram apoiando e ajudando o Corinthians, e agora dando soluções legais para São Paulo e Palmeiras executarem seus projetos patrimoniais. O Corinthians, que pagava um valor pela locação mensal do Pacaembu ao município, que lhe onerava em 30 por cento da renda dos jogos, hoje pagará um valor simbólico. Discreto, Tarso Genro não deixa faltar nada para o Inter construir o Beira-Rio.

Depois que posaram para câmeras e fotos com capacete de peão e de pá na mão, tirando o primeiro torrão de terra da Baixada, Ducci e Richa sumiram. Não pagam o que municipio e Estado já devem para o Atlético (36 milhões de reais) e se escondem da crise do Couto Pereira para não comprometer a eleição para prefeito de Ducci, já comprometida pela ascenção de Fruet.

Resta saber se saíram da toca para resolver esse conflito, que pode aumentar a violência nas ruas de Curitiba.

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