A eleição para a presidência da Federação Paranaense de Futebol não me provoca o mínimo interesse. Essas entidades de administração do futebol estadual por terem perdido a importância em razão da independência dos clubes perante a CBF, transformaram-se num cartório: qualquer ato que praticam exigem dinheiro dos filiados. Com a intromissão do deputado Evandro Rogério Roman como parceiro de Hélio Cury, é possível imprimir uma natureza política partidária nessa eleição: Cury representaria a direita, e Gomyde, do PCdoB, a esquerda.

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Lembro-me de Nelson Rodrigues. Certa vez, uma repórter de nome Clarice Lispector lhe perguntou: “Você é de esquerda ou de direita?” Nelson respondeu: “Eu me recuso absolutamente a ser de esquerda ou de direita. Cheguei a essa atitude diante de duas coisas lendo dois volumes sobre a guerra civil na História. Verifiquei então o óbvio ululante: de parte a parte todos eram canalhas. Rigorosamente todos. Eu não quero ser nem canalha da esquerda nem canalha da direita”.

Como não é da minha natureza esportiva a neutralidade, arrisco a dizer que Ricardo Gomyde é uma opção interessante. Embora seja o típico comunista que um dia sonhamos ser, porque veste Ermenegildo Zegna, usa relógio Rolex, joga golfe no Country, só toma vinho francês e anda de Mercedes, é um candidato diferente de todos os que já tivemos nos últimos anos. Com boas e fortes relações políticas-desportivas, próximo do poder central, com formação pessoal, cultural e independência para discutir as reformas que o futebol reclama, Gomyde é a melhor opção. Escrevo até que, comparado com Hélio Cury, é a única opção.

E não pense, que quando eu afirmo que Gomyde é a melhor opção estou usando o elitismo, só querendo o bem de Atlético e Coritiba. Gomyde, por ser criativo e em decorrência das suas relações pessoais, será importante para times pequenos, ligas e clubes amadores, que há anos são sugados pela Federação Paranaense de Futebol, só sobrevivendo pelo idealismo de sua gente.

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E se não bastassem as virtudes de Gomyde para tê-lo como o melhor candidato para o segmento mais simples do futebol, há os defeitos notórios de Hélio Cury. É arredio e tem tom ditatorial, é contra a liberdade de imprensa e pregador de ônus de quem não pode pagar, é pouco transparente na prestação e concentra os seus interesses só na FPF. Conto-lhes um fato: quando o Atlético precisou levantar o seu crédito de 17 milhões de reais que ganhou da rescisão do contrato do Pinheirão, a FPF criou um incidente no processo, para depois, pedir uma ajuda de 1 milhão de reais ao Furacão, para construir a sua nova sede. O Atlético liberou esse 1 milhão de reais, quando já lhe faltava dinheiro para pagar os operários da obra da Baixada. Até hoje, não se sabe o que a FPF fez com esse 1 milhão.

Gomyde irá fazer bem ao futebol paranaense.

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