Campeão sem face

Se necessário valorar a qualidade de um time como condição legal para o título, o Paranaense teria, obrigatoriamente, que terminar sem campeão. Mas como o regulamento é uma ordem, traduzida em números, eis o resumo do campeão Paranaense de 2007: um time que esconde o seu nome, que usa a sigla como identidade, que hoje entrará em desmanche, o ACP, é o novo campeão dessas bandas.

Nada mais justo? Talvez, mas existem certos acontecimentos justos, mas que causam constrangimento.

E nem se debata motivos ou procure razões para contrariar essa verdade. O jogo de ontem na Vila Capanema, que ainda está bem vivo, foi o arremate deste estado: o ACP usou o critério mais condenável para se alcançar um objetivo, que é não jogar e não deixar o outro jogar, embora se duvide, que se deixasse, o Paraná jogaria alguma coisa. É um time cheio de limitações a começar do banco. Mas não encontro justiça em se ganhar um título pelo critério da exclusão de quem é menos ruim. Campeão-campeão tem que ser como Grêmio, que os gaúchos não chamam de GFPA, e que deu de 4 a 1, no Juventude; campeão-campeão é o Santos, que os paulistas não o resumem em SFC, que saiu do fracasso de dois gols, e ganhou de 2 a 0 do São Caetano; e campeão-campeão, é o Flamengo, o Fla e não CRF, que tem torcida para lotar o Maracanã, tem poder de virar um jogo que perdia para o Botafogo, e ganhar o título na pura tradição, nos pênaltis.

O futebol paranaense tem um campeão sem face.

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Homenagem

Quando não se tem um fato presente como motivo de comemorar, investiga-se o passado. E aí os coxas não têm nenhuma razão para lamentar, ao contrário, têm uma história de realizações, títulos, fatos, personagens e heróis.

Hoje à noite irão se reunir para homenagear um que pode parecer mais um personagem dessa história. Mas os fatos bem contados vão mostrar trata-se de um herói.

Dreyer. Eduardo Francisco Dreyer. Um argentino, que em 1972 veio ganhar a vida jogando futebol no Coritiba, acabou criando uma marca tão forte, que um contrato de trabalho foi transformando em certidão de adoção.

Como jogador, Dreyer não se destacava pela técnica, embora a tivesse. Sua virtude maior era a inteligência para, parado atrás ou vindo de trás, ver o jogo que deveria ser jogado. Se devolvermos Dreyer aos seus 21 anos e o transportarmos para os dias de hoje como jogador, não haveria festa por aqui. Dreyer seria um jogador moderno, presa fácil do mercado europeu.

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