Campeão centenário

Escrever historia e estória, fazer citações para ilustrar temas, formar heróis e divagar para alcançar os corações, é ser relativo, enganoso, falso. Eis a grande verdade.

Existem fatos que entram na memória e nunca mais são esquecidos. São fatos ligados uns aos outros, que se pregam, e assim, indissociáveis fazem a história.

Não há como romper o vinculo entre o título conquistado pelo Atlético com o ano do centenário do Coritiba. Para afastá-los, dando a cada um, um destino, ter-se-ia que apagar a história. E história como essa no futebol é escrita, gravada e filmada pelo coração. Torna-se impagável, irremediavelmente uma história. No máximo pode narrá-la como uma lenda, cuja origem é de um fato histórico.

O Atlético foi campeão porque era justo sê-lo. O resultado final no futebol deixou de ser alienado a fatos eventuais, ao subjetivismo da chance que se divide em sorte e azar. Entre o resultado final e os números existe obrigatoriamente uma lógica, que no final provoca a justiça.

O Atlético é campeão porque foi líder de ponta a ponta, ganhando os dois turnos com sobras, sem precisar do critério de desempate; porque foi quem mais fez e menos tomou gols; por isso, teve o melhor goleiro em Galatto, e o maior goleador em Rafael Moura, que, também, foi o melhor jogador do campeonato.

O Atlético foi tão grandioso que parecia ter 100 anos. Logo ele que acabou de fazer 85 anos com a faixa.

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O Atlético ganhou do Cianorte por 2×0, em uma Baixada ambientada por sentimentos que se revezaram até o segundo gol, o de pênalti de Rafael Moura. Até ali houve insegurança, tensão, desabafo no gol do menino Wesley.

A partir do gol de Rafael Moura, a insegurança e a tensão foram embora. Ficou o desabafo no grito de é campeão. Os heróis desse titulo do Atlético mais uma vez estiveram fora de campo. Não existiria título se não fosse a influência da torcida.

Talvez, Rafael Moura seja o único a ser lembrado no futuro. Seu comportamento é comovente, porque é aquele que tem consciência dos limites, e consegue superá-los com a luta. O conceito que resume Rafael é o de que se trata de um jogador honesto, quase incomum no futebol mercantilista de hoje.

Meus respeitos à diretoria porque praticou um ato nobre, embora simples: não escondeu o Atlético, tornando-o, outra vez, campeão.

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