Caminho sem volta

Bem mais da metade da missa já foi rezada: pela Sul Americana, na Baixada, o Atlético ganhou do Fluminense por 2 a 0. Entendo que apesar de ser jogado apenas um jogo, com o fato de não ter sofrido gol em casa, o Furacão adiantou a missa. Pode perder por diferença de um gol, pode perder até por diferença de dois gols e ganhar nos pênaltis, pode quase tudo.

Nós cronistas esportivos, que podemos errar previsões porque as desculpas precedem aos erros, gostamos de especular as mentes dos técnicos. Como estaria pensando o treinador Tiago Nunes, em armar o Furacão, com esse privilégio de poder até perder no Maracanã?

Trata-se de uma pessoa normal, portanto, que tem o atributo da coerência. Então, não precisa especular a mente de Tiago, é certeza: Com Santos, Jonathan, Léo Pereira, Thiago Heleno e Lodi, Lucho González, Bruno Guimarães e Raphael Veiga, Roni, Pablo e Nikão, o Atlético deve jogar o que vem jogando. Nada mais, nada menos. Essa é a vantagem de ter um treinador, e não um “professor” no comando do time.

Os caminhos para Cartagena, cenário central do imortal “O Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel Garcia Marques, já estão abertos. De lá à Barranquilla, à beira mar, é um pulo só, de 120 quilômetros. Imagino que o Furacão não frustrará a sua torcida. No futebol, como na vida, há caminhos de uma mão só.

Solução

A pior decisão para o Coritiba, que o seu Conselho Deliberativo poderia tomar, tomou. Ao decidir arquivar o processo, que tinha como objeto a destituição de Samir Namur da presidência, tornou o problema ainda maior. Não só por ter subtraído dos sócios, portanto de formal ilegal, o direito exclusivo desses de decidirem, como o fez sem a consciência do que seria melhor para o clube, fato mais grave e que inchou o problema.

E se o Coritiba continuar fracassando no campo? Tratando-se de futebol é possível, e pelos dias de hoje, é provável. Dito em resumo: não se resolveu o problema do Coxa, e aumentou o tormento da vida de Samir, que voltou a afirmar que o cargo está à disposição de pessoas com qualificação.

O ex-presidente Vilson Ribeiro de Andrade saiu como estrela da reunião e o salvador de Samir. Não ficou bem para Vilson intervir, depois que o presidente havia falado que o convidara para ser diretor executivo do clube. Vilson deu margem para os seus opositores tratarem a defesa como interesseira. Sei que que não teve essa intenção, mas bem que poderia ter evitado. O mais importante não foi respondido pelos conselheiros: Samir é ou não incompetente?

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