Calculadora

A derrota não é um tema tão simples para se enfrentar. No futebol ainda mais, em que a paixão torna possível especular, concluir por um jogo de idéias, de presunção, de dedução e de querer. É que tudo parece objetivo e transparente, certo e errado; às vezes, até a sorte ou o azar parecem coisas materiais.

Mas havia tempo que uma derrota do Atlético não era tão simples de explicar. O Atlético perdeu o jogo do Pacaembu para o Corinthians por dois a zero, não foi pela simples questão da lógica de ser inferior, que é principio quase absoluto para dar soluções no futebol. A derrota em si como resultado de um jogo, foi absolutamente normal. Era possível e previsível. Mas foi anormal a forma de perder.

Bem resumido, para não vulgarizá-lo por adjetivos simples como ruim ou medíocre, digo-lhe que o Atlético foi um time triste. Entenda triste um time sem disposição tática para jogar, ou física para correr, embora tática e fisicamente até pudesse estar certo e disposto; triste porque é time que confunde falta de qualidade com inexperiência; inexperiência com falta de atitude; um time que tem no técnico o seu último recurso, mas que por ser humano, também falha, como falhou em todas as intervenções para mudar, principalmente ao tirar Evandro.

O Atlético já não ganha há três partidas.

Este, também, não é o maior problema.

O problema é achar que pode fazer muita coisa, quando está longe de alcançá-la. Se ganhar consciência definitiva de que vive no grupo de ameaçados de rebaixamento, pode ser até que se salve.

***

Ao Coritiba, agora. Não abro janela para escrever a goleada sofrida para o São Paulo (4×1) porque o que se escreve para o Atlético cabe rigorosamente para ele. Talvez, até um pouco mais: vontade não falta para os jogadores coxas. Tanto que correram, lutaram e foram quase iguais ao São Paulo. Não foram iguais em razão da falta de qualidade para decidir no corte de uma bola cruzada para a sua área ou no arremate da mesma bola cruzada para a área do São Paulo. Ou o exemplo maior: o pênalti que Renaldo, que é atacante especialista perdeu, Rogério Ceni, que é goleiro, marcou.

Os coxas que comecem a fazer contas para não serem rebaixados.

A calculadora deve ser a mesma que o Atlético tem que usar. Exata, perfeita, sem o mínimo risco de erro.

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