Nelson Rodrigues escreveu certa vez que, às vezes, há fatos imperceptíveis que exercem influência decisiva em nossas vidas. Lembrei-me deste ensinamento de Nelson analisando os últimos fracassos do Atlético contra times de segunda categoria. Não há só os abusos praticados por Milton Mendes no exercício do direito quase absoluto do treinador no comando de um time. Já seria o bastante o abuso de excluir Hernani para colocar o medíocre Jadson no meio. E insistir com o futebol latino de Vilches e Hernandez.
O fato principal não está sendo percebido: a relação de pai para filho que se criou entre o técnico e os jogadores. Nos fracassos recentes, não houve só erros de Milton, mas houve muito de indiferença por uma bola que parece perdida, mas poderia ser ganha, para uma disputa de um lance que exige mais força, ou para o significado de uma nova vitória.
Mas Milton não é o culpado por mais que erre. Ele é mais uma vitima, como são todos os técnicos que passam pelo Atlético, da absoluta falta de gerência do futebol. Não tem um atleticano; todos são profissionais e com as mais diversas intenções. O jogador sabe que Paulo Carneiro é uma velha cobra venenosa, e que Marcio Lara é apenas uma caixa preta do comando central.
Assessoria
Se André Macias foi afastado da vice-presidência do Coritiba, o que é possível e necessário, pode não ficar fora do futebol. No Rio de Janeiro, por ocasião da criação da Liga Rio-Sul-Minas foi a corda da caçamba que foi Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético. Não estranhem se o convite de brincadeirinha se transformar em convite sério para ser assessor da presidência no Furacão. Não irá me surpreender, pois, Macias e Mauro Holzmann, operador de publicidade rubro-negro, já fizeram negócios juntos como a contratação da publicidade do aplicativo de taxi. E é assunto de extrema gravidade, pois a contratação que seria direta, acabou passando por agência publicitária pegando uma fatia dos clubes.
