Caixa de campana

O jornalista Fábio Campana escreveu em sua coluna de ontem na Tribuna: “Todos os políticos atleticanos ligaram ontem para Mário Celso Petraglia, o manda-chuva do Clube Atlético Paranaense, que completou 65 anos. Petraglia foi dirigente vencedor das principais campanhas de Jaime Lerner. No Atlético, voltou à comodidade das sombras para evitar os chatos e desagradáveis”.

Talentoso, o texto de Fábio Campana não pode ser interpretado de imediato como uma exaltação ao amigo. Primeiro, porque se refere a Petraglia como chefe de campanha de Lerner. Chefe de campanha política é inevitavelmente associado à coleta e gerência de dinheiro de origem duvidosa. Ao festejar o amigo apenas como “chefe de campanha”, não só lembrou de algo que ele não gosta (caixa de campanha), como desprezou o grande dirigente que foi. O maior de todos, nos últimos tempos. Mas o exótico, diria assim, da notinha, extrai-se quando Campana escreve que Petraglia “voltou à comodidade das sombras para evitar os chatos e desagradáveis”.

Dúvida cruel e provocante. Hilariante e quase indecifrável. O grande jornalista, ao usar o genérico e jogar aleatoriamente a carapuça, estimula a curiosidade. Eu mesmo passei o dia perguntando-me: quem, afinal, são chatos e desagradáveis que empurraram Petraglia para a comodidade das sombras?

Lembrei, lembrei. Pensei, pensei. E lá pelas tantas, diante da minha ingenuidade, perguntei-me: por acaso, esses chatos e desagradáveis não seriam os credores dos R$ 16 milhões que Petraglia deixou para o Atlético pagar?

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