Cabra Marcado para Morrer

Se me perguntam se Milton Mendes é um bom ou mau técnico não sei responder. É cômodo para qualquer um, em especial para o jornalista, afirmar que se trata de um péssimo técnico tomando como referência seu histórico pobre para quem já rodou muito. Mas na vida em geral, e no futebol em especial, às vezes, o sucesso se origina de uma chance. De quem, às vezes na se espera, originam-se fatos improváveis.

Agora, se me perguntam se nesse momento do Atlético, Milton Mendes deveria ter sido contratado por cargo mais importante depois da presidência, respondo que não.
E uso uma razão lógica informada pelos fatos que se escancaram a cada jogo: vitima da confessada incapacidade de Petraglia para tratar de futebol, o Atlético jogou fora o período mais importante da temporada, quando se prepara o time para o Brasileiro. É possível afirmar que, agora, o Furacão não tem time dentro do conceito exato que deve imprimir que é um grupo de onze, organizado por uma ordem tática e com o mínimo de qualidade individual.

Um clube nessas condições tem obrigação de diminuir o risco de erro na busca pela solução. E Milton Mendes é um risco imenso, pois é uma aposta cuja tendência pelo seu histórico é de perda. E não chega para um clube qualquer. Chega para o Atlético no momento em que todas as paixões estão explodindo, porque a torcida sentindo-se enganada expõe a sua mágoa nas arquibancadas, nas ruas e nas redes sociais.

Um técnico de risco imenso, entrando num ambiente como esse do Atlético, não tem nenhum direito: não pode pedir prazo para trabalhar, não pode trabalhar variações que o futebol exige em todos os jogos, não pode improvisar, sendo-lhe negado o sagrado direito ao erro. Lembra o João da Paraiba, o camponês do saudoso Eduardo Coutinho, em “Cabra marcado para morrer”.
Depois de o Furacão fracassar na pré-temporada na Espanha, depois demitir de dois técnicos de relativo prestígio em quatro meses, depois da humilhação de jogar o torneio de rebaixamento no Estadual, e próximo ao Brasileiro, Petraglia não tinha o direito de fazê-lo correr esse risco. Esse ato escancara-se como abuso, como excesso no exercício da função de presidente. É claro, se o Furacão, ainda, pode ser tratado como uma instituição de sua torcida. Mas se Petraglia contratou esse técnico porque entende que o Atlético é de sua propriedade, é uma questão que já não pode ser discutida. Da forma como a coisa foi feita, Petraglia agiu como se dono fosse, sem estar obrigado a dar satisfação.

Então, agora, sou eu que pergunto: se Petráglia contratou o seu técnico, quando é que o Atlético contratará o seu?

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google