Cabo de guerra

Existem pessoas que se integram em nossa vida e não saem mais. Podemos nunca mais vê-las, podemos vê-las de tempos em tempos, mas não a esquecemos. Não há como despregá-las do coração.

Na minha, uma delas, chama-se Buião. Era ponta direita de um ataque do Atlético, que se tivesse ganhado o título de 1972 teria virado poesia: Buião, Sicupira, Ademir Rodrigues e Nilson Borges.

Buião é tão imenso como pessoa, que se Deus fosse escolher alguém para representá-lo na Terra, já o teria escolhido. Se é, que em segredo, ainda não fez.

Ontem bem cedo Buião me telefonou. Disse que Pretinho, que foi prefeito de São José da Lapa, andava preocupado com os boatos sobre a situação do amigo Marcelo Oliveira. Respondi que Oliveira está bem por aqui, é querido, tem prestígio, e que o Coritiba voltou a jogar bem e a ganhar bem, como fez contra o Fluminense: 3 x 1.   E, daí, Buião, que tinha visto o Furacão perder para o Vasco (2 x 1), provoca um assunto delicado, inevitável: “E o nosso Atlético vai cair?”

Respondi: “Às vezes, já não me indago mais se o Atlético irá cair. As coisas estão tão destemperadas, como dizem vocês mineiros, que a pergunta correta não seria mais se irá cair, mas em que momento do campeonato irá cair.

“Uai, está tão pessimista assim, Mafuz?”

Respondi: “Não é pessimismo, mas decepção. Os atleticanos estão jogando um cabo de guerra, arrebentando com o clube, em razão de uma briga pessoal entre Petraglia e Malucelli. A derrota do Atlético passou a ser bandeira para vitória pessoal.”

O amigo querendo me imprimir a última esperança, disse que “Deus vai ajudar, os atleticanos vão se entender e o Atlético não vai cair.” E completou: “Mafuz, dê um abraço no Sicupira, no Alfredo (Gottardi) e no Dr. Lauro ( Rego Barros)”.

Está dado.

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