O jornalista não está obrigado a interpretar, sob o aspecto jurídico, uma decisão judicial. Ele estuda jornalismo, cujo curso não se atualiza com os movimentos da vida. Mas para analisá-la é necessário saber qual é o limite da ética a que o homem público deve se submeter.
A decisão do Tribunal de Justiça Desportiva de ter banido aqueles que haviam sido absolvidos, não me convenceu. Sob o aspecto material (se foram culpados ou não) continuou absolutamente a mesma. Tanto que aqueles auditores que se postaram ao lado dos bruxos, não mudaram o voto. O que mudou foi a valoração do voto do presidente. Situação, embora correta, absolutamente processual.
Foi uma decisão anunciada, programada e mandada sob encomenda por um único motivo: afastar a pressão sobre Onaireves Nilo Rolim de Moura, denunciado por Cidão, de tramar com Mikulis um resultado para o Ponta Grossa.
Dirão que a denúncia do Cidão não tem valor porque foi réu confesso, e eliminado do futebol. Mas a denúncia de Cidão não serviu como prova para eliminar Johelson Pissaia, que viveu dez anos no quintal da casa e sob as expensas do Moura?
Se o TJD quer dar uma prova de seriedade, no mínimo deveria mandar abrir um inquérito para apurar a responsabilidade do presidente da Federação Paranaense de Futebol. Punir bruxos e gatos é simples, e até comovente. Mas para os mesmos julgadores apurar a responsabilidade de quem tem o comando de tudo é uma situação que compromete.
Daí, todos terem saído condenados no julgamento de terça-feira.
Escapada
No exílio, o Coritiba imagina que vá recuperar forças para não correr o risco de rebaixamento, que querendo ou não a sua gente, é sério.
Esse tipo de concentração só resolve se um grande time estiver em mau momento. A campanha, e é o caso do Coritiba, não decorre de deficiência psicológica, que gera a desatenção. Mas decorre da deficiência técnica em razão do tipo de gerenciamento do futebol do clube.
A maior prova está no tratamento dado ao atacante Renaldo. Pune-se, excluindo-o do Atletiba. Castiga-o colocando na reserva de Tiago.
Poderia ser um fato absolutamente correto se houvesse coerência. Se não serviu nem para concentrar contra o Atlético, e nem jogar contra o Botafogo, a coerência encerraria o assunto e determinaria que ele simplesmente não serve.