Gripado e fiel aos conselhos do grande Daniel Rispoli, médico que, também, trata da alma, passei o domingo de molho. Recolhido em casa, trabalhei nas razões finais do recurso de Denis Marques para o julgamento em Lausanne, agora, dia 21. Esperei pelo Atletiba como se espera por um jogo qualquer. Não existe uma história passageira que ocupe o tempo de quem espera pela final da Libertadores. E na calada da tarde chegou o Atletiba. E veio o Atlético, cheio de garotos, alguns, ainda crianças, parecendo um time saído de um conto de Walt Disney. Soube-se à noitinha que eram realmente crianças, que aprenderam tão bem as brincadeiras, que transformaram a majestosa Arena em um parque de diversão.
Essas crianças pareciam brincar no parque e acabaram jogando futebol. E como jogaram sincronizados no tempo e no espaço, nem parecia um time formado às pressas, ainda mais um time de garotos. Recém-saídos do berçário, talvez ainda em regime de amamentação, apareceram lá Tiago Cardoso, Paulo André, Rodriguinho, Fernandinho, André, e o formoso Evandro. E outros que nunca tinha ouvido falar, como aquele negrinho fantástico chamado Marcos Winícius, que fez um risco no meio-campo, como se riscando só para ele um quadro de amarelinha.
Sejamos sinceros: o Atlético deu um passeio no Coritiba. E não foi um passeio qualquer, foi um passeio inédito, porque jogou como lanterna do Brasileiro, não podendo perder e foi buscar o pouco de sustento nesse time de garotos.
Uma ou outra vez o Coritiba ameaçou o empate, principalmente depois que Marquinhos entrou no jogo. Mas não foi uma ameaça que provocasse medo. Os garotos atleticanos ao mesmo tempo que absorviam o impacto, saíam em velocidade. Era jogo pela direita ou jogo pela esquerda. Era o jogo invertido ou em diagonal. Mas jogava um jogo jogado, como diria Otacílio Gonçalves. Jogava com Rodriguinho, que como ala foi o melhor em campo, Rodrigo "Beckham" e Fernandinho no meio e Evandro pelo ataque. Em uma dessas estocadas, ainda no primeiro tempo, Evandro, filho de Osmair, atleticano de berço e de coração, fez o gol da vitória.
Esses meninos atleticanos jogaram tanto, mas tanto, que acabaram fazendo uma roda em cima dos coxas. Exaustos no final, mas animados, pareciam embalados por uma cantiga de ninar de Vinícius de Moraes.
E já era tarde. Era hora de criança ir para cama.