Dizem que, às vezes, sou surpreendente. Mas há quem me chame de ingênuo. Como em setembro de 2011, quando os atleticanos discutiam qual era a melhor proposta para construir a Baixada: a da Construtora OAS ou a de Mário Celso Petraglia? Defendi a proposta do companheiro Petraglia com unhas e dentes. Não foi só por isso, mas também por isso. A sua proposta ganhou.

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Lembremos. Pela proposta da OAS, os ativos, oriundos da exploração da Baixada, que já existiam, permaneceriam 100% com o Atlético. As receitas, provenientes do novo estádio, seriam rateadas à base de 50%. A OAS era a responsável pela construção do estádio, pela comercialização dos títulos de potencial construtivo, inclusive pelo deságio de mercado, coisa de 30 milhões, além de atrair parceiros, pois a sua remuneração viria somente dos novos recursos a serem captados.

Nesse panorama, o Atlético receberia um estádio pronto, com uma responsabilidade cível/trabalhista tão somente subsidiária. A proposta era uma vergonha, dissemos.

Agora, a parceira AEG, de imediato, vai receber do Atlético 40 mil dólares por mês, e depois da Baixada pronta receberá comissão de percentual variável de 9 a 12 por cento, de todo e qualquer ativo que venha a ser pago ao clube, isto é, patrocínio de camisa, renda de jogos, direito sobre o ar e a terra, fornecimento de material esportivo, receitas gerais da Arena, incluindo-se as que o CAP já possui.

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Terá uma fatia do que a torcida comprar: do pão com bife ao foie gras.

Quanto ao eventual prejuízo, o que é previsível, o Atlético terá que pagar. Além disso, ao clube caberá construir, sob sua conta e risco, a Baixada, que segundo o companheiro Petraglia, não possui sequer orçamento final. E se não bastasse, o Atlético será o único responsável por todo o valor que ultrapassar R$ 180 milhões, inclusive do valor da cobertura com teto retrátil exigida pelos americanos, cujo custo final não será inferior a 20 milhões de reais. O contrato é de um desequilíbrio brutal, que se torna desonesto contra o Atlético.

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Mas essa equação não é mais onerosa do que aquela proposta pela OAS, da qual o Atlético sairia sem dever nada e com o mesmo estádio pronto? E, ainda, sem precisar pagar a comissão contratual, que paga para a empresa ALL da família do companheiro Mauro Holzmann, e que teria participado da contratação dessa parceria.

Perdi a ilusão, já não sou mais contra o dirigente que eleito em razão de ideais se torna um executivo profissional. Se os seus atos são transparentes, se deixa claro esse interesse profissional, e só traz benefícios ao clube, nada mais justo de ser remunerado. O que não pode é fazer os outros de hipócritas, adaptando os acordes musicais do hino do clube à letra composta por Scorsese.

O assunto vai seguir em frente.