Se uma das condições para se inscrever e jogar as competições no Brasil fosse a de provar a quitação das obrigações contratuais com os jogadores do ano anterior, o ano de 2014 não começaria para o futebol brasileiro. Sem nenhuma exceção, todos os clubes começam o ano devendo para jogadores.

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Pode parecer contraditório, mas entre os motivos desse estado que beira a insolvência está a televisão. É porque ao antecipar o dinheiro das cotas futuras pela cessão dos direitos de transmissão, estimula diretamente uma espiral de gastos presentes, que repercute no esgotamento da principal renda dos clubes.

Sem exceção, não há nenhum clube que não tenha feito um tipo de negócio com esse seu crédito futuro. Agora, está se indo além: com a anuência da televisão dão como garantia o contrato, e tomam dinheiro em banco, remunerando o empréstimo com os encargos de mercado. Definitivamente, criou-se o que os economistas chamam de bolha.

O Coritiba que se apresentou como exemplo de administração profissional, virou devedor contumaz. E o Atlético Paranaense, que era um orgulho por ser exceção no Brasil, agora, caiu na vida.

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Os jogadores, também, têm culpa direta no cartório. Com as suas associações de classes comprometidas com sistema, aceitam viver com atrasos. Concorrem para que esse estado se transforme em uso e costume. O movimento Bom Senso, que dá esperanças de reformas, praticou até agora apenas ações simbólicas, que não repercutiu em beneficio.

É nesse estado que a temporada de 2014 vai começar no Brasil.

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