Pela falta de capacidade esportiva (Bacellar e Guerra) e de qualidade ética (Macias, Pedroso e Griebeler) é possível afirmar que Alex, um ex-jogador, ganhou sozinho a eleição para a presidente do Coritiba. Não sejamos hipócritas: Vilson não perdeu para os novos dirigentes, perdeu para Alex, porque se não fosse o ídolo, a torcida do Coritiba não iria transigir em seu conservadorismo e eleger uma chapa sem qualidade. Então é fato: nessa eleição ocorreu a prova clássica em que a criatura se torna maior que o criador. Quando um ex-jogador se torna mais forte que o clube, é sinal que esse se tornou vulnerável e enfraquecido.
Bacellar e Guerra começam mal.
Projetam o Coritiba a partir de um estudo do senhor Medina, um teórico, de passagens acessórias no futebol brasileiro. A torcida do Coritiba que fique alerta: Medina já pegou uma grana de Guerra, e que não foi pouco, e entregou o trabalho projetando “o Coritiba dos próximos 20 anos”. Conheço Medina apenas por suas teorias em livro e por seus fracassos como auxiliar de treinador. Mas no futebol brasileiro se já é impossível projetar o dia seguinte, quem projeta “os próximos 20 anos” é irresponsável ou malandro. Quando surgiu em 1990, o Paraná em intensa campanha publicitária se apresentou como o “clube do ano 2000”. Esqueceu que antes do ano 2000, tinham muitas madrugadas.
E vejam só como os novos dirigentes fizeram tudo na esteira da pendenga Alex x Vilson, sem considerar detalhes relevantes para uma administração que se apresenta como ética. O presidente do Conselho Deliberativo será o vereador Pierpaolo Pietruziello. Seria uma boa escolha, se o seu irmão Jean não fosse o agente que tirou William do Coritiba para ganhar comissão do Cruzeiro, e se não fosse o titular de procurações e direitos econômicos de uma dezena de atletas no clube.
O jogo já está sendo jogado.
Teto retrátil
Não entendo de engenharia e por isso não discuto as razões técnicas da Lanik, empresa responsável pela supervisão da estrutura do teto retrátil da Baixada. Mas entendo de ética profissional, e aí a Lanik está sendo irresponsável ao permitir, que seu diretor César França use a imprensa para constranger o Atlético. Com uma língua de trapo, Cesar dá publicidade em todos os atos que pratica numa forma objetiva de coagir o Atlético, inclusive para aumentar o lucro. Não discuto que a Lanik tenha razões técnicas para essas posições. Mas se as tem deveria tomar atitudes mais racionais. E nenhuma racionalidade afasta a discrição.