Bola do jogo

Não gosto de fazer comparações entre fatos e pessoas. Menos ainda, quando entre eles há o tempo. Mas os argentinos gostam. Ignoram épocas, desprezam circunstâncias. O herói que escolhem como paradigma sempre acaba eternizado como maior do que o herói dos outros.

No futebol, já se vão 30 anos e ainda somos obrigados a descobrir lances inéditos de Pelé. Os que o mundo conhece há 54 anos já não bastam para provar que aquele declarado como rei pelos franceses foi melhor que Maradona. Não por ter sido craque, mas por ter sido gênio.

Esse sentimentalismo sem base alcançava a extravagância. Sugeria que depois de Maradona, o maior jogador de todos os tempos era Messi. E houve quem no Brasil estivesse gostando da ideia.

O Barcelona foi eliminado pelo Chelsea da Liga dos Campeões (2 x 2). Foi porque seu futebol de talento organizado, com o tempo, se tornou mecânico. Portanto, de marcação previsível. E também, porque Messi jogou fora a bola do jogo, no pênalti perdido, que àquela altura mataria os ingleses.

Entre bolas que decidiram um jogo pode-se fazer comparação. Não há tempo que as separem. Fica na história se quem a usou perdeu ou não. É a bola que não pode ser perdida, principalmente pelo melhor. Não me lembro de que a história conte sobre uma bola do jogo que Pelé tenha perdido.

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