Não há coisa boa sem contradição, está escrito nos “Os Sermões” do Padre Antônio Vieira. Então, que se trate como contradição o fato que irei afirmar: o Atlético, esse que joga, começa a encantar. Goleou o Rio Branco por 7×1 pelo Estadual, e quem alcança esses números não o faz de forma gratuita ou alienada à fragilidade adversária. No futebol de hoje, em qualquer circunstância, ganhar de 7×1, pode não apontar certezas, mas no mínimo algumas virtudes.
Mais do que contraditório, irão tratar-me como incoerente porque vivo pregando que o Estadual não serve como referência. Concordo, mas não estou exaltando o outro Atlético, aquele que não joga. Esse é temerário porque tem a preguiça de Guilherme, as passadas cansadas de Lucho e Paulo André, a gordura vergonhosa de Tiago Heleno e a inoperância de qualquer um dos que jogam no ataque, todos sem reposição. Estou afirmando elogios aos aspirantes e quem os comanda, Tiago Nunes. Não é referência ganhar do Rio Branco, mas não diminui as certezas que se projetaram da goleada. Qualquer treinador com a lucidez em dia, escalaria, no Atlético que não joga, João Pedro como titular, e teria Matheus Anjos como opção imediata.
Humilhação
Quem perde orgulho próprio, não tem mais condições de comandar. O Coritiba, outra vez, foi derrotado no Couto Pereira: por 3×1, pelo Foz do Iguaçu.
É possível que os dirigentes atribuam a derrota, ao fato de que o time foi o de reservas, em razão da prioridade do jogo com o Goiás, pela Copa do Brasil. Pois essa é a questão mais importante: não há nenhuma prioridade mais relevante do que se dar o respeito a si próprio. É a partir do auto respeito que construímos nossos valores.
Era apenas questão de ser racional, daí ter orgulho próprio: com duas derrotas para Maringá (3×0) e Paraná (2×0), o clube não poderia aumentar o risco de um novo fracasso.
E mais grave: mostrou a absoluta falta de inteligência na adoção de prioridades. O que supostamente preservou no aspecto físico, perdeu em maior proporção no emocional. A pressão da derrota do clube não escolhe titular ou reserva.
Escrevi um dia desses, que os dirigentes eleitos não tinham a exata noção do que é o Coritiba. O tratamento desprezível que estão dando ao clube, está me dando razão.
Arrumação
O Paraná, outra vez, ganhou na Vila. Agora, do Cascavel, 2×1. Foi aos trancos, é verdade. Mas até um dia desses, com esse mesmo time, nem isso conseguia. Quando precisou, Micale interveio. É um alento para qualquer time que seja limitado, como é o caso do Tricolor, ter alguém que consiga apontar maneiras de se compensar para alcançar a vitória.