O futebol brasileiro incorporou alguns conceitos, que não deveriam se associados à sua grandeza. No entanto, os são. E por isso, fazem a irretocável técnica se misturar com uma cultura que deforma os princípios mais elementares de comportamento.
Ontem ouvi opiniões insensatas, de caráter populista, que o atacante Wellington Silva, do Paraná, não irá sofrer nenhuma punição pelo gol com a mão que decidiu o jogo contra o Ceará, em Fortaleza. Argumento: nunca um jogador foi suspenso por ter feito um gol com a mão. Uma coisa é o benefício de um impedimento, porque esse só tem solução na interpretação da arbitragem. Nenhum jogador se coloca impedido porque quer, tornando a posição involuntária.
Outra coisa é, esgotados todos os meios lícitos para fazer o gol, fazê-lo com uso da mão. Neste caso, é o de Wellington, há um ato voluntário, intencional, enganoso. Houve fraude, não há dúvida, com a agravante que influiu no resultado do jogo.
Wellington estava jogando futebol e não pôquer, que é centrado no blefe, na fraude. Se adotar-se essas regras de mesa de jogo, o futebol estará perdido. Um dia desses, um tribunal inglês suspendeu o jogador brasileiro-croata Eduardo, do Arsenal, por ter simulado um pênalti. Os seus companheiros foram solidários à punição.
Wellington deveria ser suspenso pela Justiça Desportiva.
A impunidade anterior não deve ser adotada como regra.
Essa cultura, que absorve ilícitos sem nenhuma censura, é a que cria situações contrárias à lei, origem desta impunidade.
O futebol brasileiro já está bastante adulto para aprender que faz bem ser leal às leis, e deixar de relevar tudo em razão de impunidade anterior.