Mário Celso Petraglia não gosta de jornalistas, nunca negou. E esses, por ingenuidade ou ignorância, deixam-se usar. De uns tempos para cá, o presidente atleticano nem precisa dar mimos. Simples: solta uma nota oficial no site do Atlético, e imediatamente rádio, jornal e televisão transformam o seu conteúdo em manchete.

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A última: “Petraglia ameaça não colocar o Atlético em campo”. Apresentada em forma de nota oficial, a realização do jogo estaria condicionada a um “juiz de fora”. Se dá importância à ameaça como se carregasse uma decisão em que a condição é intransigente. Petraglia pode até ter vontade de impedir o Atlético de ir a campo, mas nunca o fará. Sabe muito bem das consequências. Uma em especial: a suspensão do clube, que poderá se estender às competições nacionais.

Conheço bem os polacos da minha colônia: ao invés de nota, foi um blefe oficial. Petraglia apenas quer que a arbitragem seja imparcial, e para isso usa a técnica dos guerrilheiros urbanos contra a ditadura: quanto pior, melhor.

O argumento que Petraglia usa no blefe é que o árbitro da Vila Olimpica deveria expulsar o violento argentino Escudero. Argumento que esvazia o próprio conteúdo da manifestação. É que, ao não expulsar Escudero, o árbitro auxiliou o Atlético, por que o argentino em campo aumenta o risco de um fracasso coxa.

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O Atlético, que já desmoralizou o campeonato, fazendo o seu time de garotos um finalista, agora desmoraliza a imprensa. Essa só divulga o clube colhendo notas do site oficial. Era isso que Petraglia sempre quis.