Uma derrota ideológica, também, causa tristeza. Mas como escreveu Fernando Pessoa: “Passou a diligência pela estrada, e foi-se; e a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia. Assim é a ação humana pelo mundo fora. Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos; E o sol é sempre pontual todos os dias”. E Marcelo Cirino, agora, sou eu quem escreve, vai continuar perdendo gols nos jogos do Furacão. São coisas que por não podermos mudar, somos obrigados a integrá-las ao nosso mundo.

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A derrota por submissão é a pior delas. Veja só as nossas equipes do rádio esportivo. Há três anos seus integrantes são espezinhados e ofendidos, têm o acesso impedido no CT do Caju, são ameaçados e agredidos por seguranças na Baixada. Não obstante esse maltrato que constrange e humilha, correram ao primeiro chamado do seu algoz. Em um local reservado do sofisticado Clube dos Executivos comemoram e beberam por conta de Petráglia. E, a exceção da Equipe 98, todos com caras faceiras saíram sensibilizados com pedido, de que o rico jantar fosse retribuído com o apoio aos atos de comando do Furacão.

Concordo que o simples fato do ir jantar com alguém não significa fazer negócios com o seu direito de critica. Não quero e não posso, também, afirmar, que os radialistas que lá estiveram, saíram com a opinião negociada. Só que as circunstâncias do caso exigiam outro comportamento. Petraglia ofendeu, distratou fez e horrores contra os radialistas. Foi além: para combatê-los e limitar o mercado de emprego, criou uma rádio oficial, a qual foi dada exclusividade de entrevistas e informações diárias do clube mais popular da cidade. Seria razoável, então, que os radialistas tivessem no mínimo um pouco de orgulho próprio, que era o de não aceitar o convite. Mas foram como se nada tivesse acontecido. Quem foi já sabia com quem iria jantar e o que seria pedido: o anfitrião nunca mandou flores, ao contrário, em um dado momento manda a conta. E não sai barata.

Em tempo

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Os colegas radialistas em geral que me perdoem. Só não cito nominalmente quem compareceu ao épico jantar porque não foram me passado os nomes. Se forem, divulgarei. Aliás, sinto-me no direito de fazê-lo, pois publicamente saí em defesa da classe.