Fonte Nova, Sul-Americana: Atlético 1×0 Bahia.
Lembrei do mestre Nelson Rodrigues. Como ele escreveria uma crônica nessa época de VAR, o árbitro de vídeo? Ele, que amava o imponderável, que buscava nos detalhes o que era justo ou injusto, não aceitaria o resultado mecânico da televisão. Definitivamente, o VAR está acabando com o romantismo do futebol.
Não quero dizer que sou contra. Quero apenas afirmar que nós, remanescentes do velho jornalismo, vamos sofrer com a intervenção dessa solução de injustiças.
Vejam só o que aconteceu em Salvador.
O Bahia era melhor, infinitamente melhor, e marcou um gol com Clayton, que o árbitro confirmou. Mas aí, o VAR interveio para acusar uma falta de Nikão. E foi falta. Não obstante, nos tempos de Nelson Rodrigues (e dos meus, também), o gol seria confirmado e ninguém iria reclamar.
Logo no início do segundo tempo, o Bahia fez mais um gol. O moleque Ramirez estava na linha de Lodi e marcou. O VAR entendeu diferente e anulou o gol. O gol absolutamente legal, foi anulado. Bendito VAR.
O Furacão que só se defendia e nada jogava, vivia das defesas do sagrado Santos. E aí, esse Santos, deu um chutão para frente, a bola caiu num vazio que só tinha Pablo. Bendito Pablo: Furacão 1×0.
E daí não precisou mais de nada.
Nem do VAR e nem de Pablo.
Quem foi mais bendito: o VAR ou o Pablo?
Pois escolho o goleiro Santos.
Tristeza
Na terça feira, no Monumental de Nuñez, 60 mil argentinos do River fizeram uma festa de canto, amor e cores. Ontem, na Bombonera, 40 mil argentinos do Boca fizeram uma festa de canto, amor e cores. Na Fonte Nova, 30 mil baianos fizeram uma festa de canto, amor e cores. Na segunda-feira, 50 mil gaúchos do Inter fizeram uma festa de canto, amor e cores no Beira-Rio.
Mário Celso Petraglia, o dono do Atlético, vendo tudo isso, deve ter se revoltado e dito: como é triste um estádio lotado e uma torcida fazendo uma festa de canto, amor e cores.