Ainda criança todos nós aprendemos que não há milagre no futebol. O que há é a intervenção do acaso, que ainda criança nós conhecemos pelo nome de surpresa. Mas nós torcedores somos pródigos em jogar fora ilusões. Às vezes sabemos que o nosso time é fraco, que se torna mais frágil diante do poder adversário, mas, ainda assim, vamos para o jogo com o otimismo. É quando o otimismo se torna uma virtude burra.

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No Mineirão, o Atlético voltou a perder no Brasileiro: Cruzeiro 2×0. Se o atleticano viu o jogo sem a ilusão da vitória (o que não acredito) no mínimo escondeu um sorriso no final.

As diferenças com o líder são tão grandiosas, que a ninguém era dado o direito de lamentar. Nem reclamar do técnico, que exagerou na dose defensiva, ao ponto de usar três laterais-esquerdos durante os noventa minutos, nem do seu erro maior que foi a exclusão de Hernani no início, nem da falta de qualidade no meio-campo, que continua esvaziando os excelentes Marcelo e Douglas Coutinho.

Esse Atlético, como tudo que Petraglia faz no futebol não vai chegar a lugar nenhum. Como pode se iludir com uma vitória improvável um time que tem como criador o ainda inacabado Marcos Guilherme? Parecendo um Forrest Gump, corre, corre e corre, mas não produz nada. Deivid e João Paulo completam a trinca de um meio-campo incapaz, que absolve qualquer técnico na tentativa de encontrar o modelo ideal de jogo.

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Quando uma time não chuta uma única bola a gol durante noventa minutos, não precisa investigar mais nada para concluir sobre a sua falta de recursos.

Aliás, o último chute de Mosquito, outra “joia” da coroa, em que a bola foi tão longe que quase bateu a façanha de Nelinho, foi o resumo do Atlético no Mineirão.

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Sem tratar o fato com ironia, mas em razão das diferenças de um e de outro, lembro-me da expressão do histórico comentarista Raul Mazza do Nascimento: foi uma bela derrota.