A reação do meia Juan contra Pachequinho, ao ser substituído no jogo com o Atlético-MG, devolve à discussão um velho tema: o direito do atleta substituído durante um jogo de se manifestar por palavras ou gestos contra uma atitude do seu treinador.
A hierarquia de comando não subtrai o direito de o jogador reagir. E, tampouco, de quem está de fora pode afirmar um juizo de valor sobre as reações que se vê. É que essas, em regra, não são voluntárias com o propósito de constranger. São reações que, às vezes, fogem do controle da nossa vontade. Em um jogo de futebol, então, em que se revezam todos os sentimentos, e de acordo com as circunstâncias ficam bloqueados, a explosão dessas reações torna-se inevitável.
No entanto, o direito do jogador reagir contra uma atitude do treinador que por entender que não é justa, como qualquer direito, tem que ser exercido dentro dos seus limites. Fora deles, torna-se um abuso. Concordo: a reação de Juan foi escancaradamente ostensiva. Bem por isso, passou dos limites, tornando-se abusiva com a agravante de que se dirigiu contra Pachequinho, que é um homem de diálogo, incapaz de confundir erro com injustiça.
Mas a questão não pode ser encerrada assim, com uma investigação dos sentimentos de jogador e treinador que podem explodir durante um jogo. Seria simplista, também, resolvê-la pelo caráter objetivo da relação, impondo a supremacia da hierarquia do cargo de treinador.
Pergunto: qual a razão das reações de Juan? Não conheço Juan, mas fiquei sabendo se trata de uma pessoa de bons princípios. E não duvido que isso não seja verdade, pois nenhum jogador faz uma longa carreira e sempre é disputado no mercado, sem ter uma única censura pública ou interna por indisciplina. Qual teria sido então, a motivação da reação que não se concilia com o seu caráter?
Passei 20 anos da minha vida como repórter, ao lado do campo e dentro do vestiário. Dizem que muita coisa mudou. Talvez, mas uma coisa não mudou por ser inerente ao ser humano: a alma dos profissionais. É a alma de um ser humano qualquer. Reações como a de Juan são típicas das que ocorrem em um grupo que se sente desemparado por falta de comando. Qualquer ato torna-se, então, motivo para provocar desconfiança e insegurança.
Bem resumido, o Coritiba está sob um barril de pólvora.