Antes do novo fato, a origem: cumprindo a sua obrigação no termo de parceria com o poder público, para a construção na Baixada para a Copa do Mundo, em valor corrigido de 30 milhões de reais. Então, por esse mesmo contrato, o governo do Estado e o municipio teriam que gastar na obra esse mesmo valor. Para que isso se tornasse possível, exigiu-se um aditivo ao contrato. Aqui, um parênteses: em janeiro passado, escrevi uma coluna alertando Petraglia para só desmanchar a Baixada depois que esse dinheiro do parceiro estivesse no caixa. Não era para acreditar nos governantes. Mas Petraglia remeteu a Baixada para o desmanche. Fecho parênteses. Na segunda feira, o Atlético foi chamado na sede da prefeitura para uma reunião com o governador e com o prefeito. Motivo: assinar o aditivo e liberar o dinheiro. O governador Richa não foi, e mandou o secretário Cássio Tanigucchi e o prefeito Ducci deixou de ir, mandando seu chefe de gabinete, Andrighetto. Pelo Atlético, foram Petraglia e Bettega.
Eis a surpresa: o poder público, negando em cumprir a obrigação, mandou elaborar um aditivo, que ,ao invés de pagar a sua parte nesta etapa da obra, limitava-se oferecer 30 milhões emprestados com juros de 17% ao ano.
Petraglia reagiu, rasgou em picadinho a minuta do aditivo, dizendo mais ou menos o seguinte: “O Atlético acreditou em vocês (governo e município) colocou a Baixada no chão, cumpriu a sua parte financeira e agora querem nos empurrar dinheiro emprestado. Espero até sexta uma solução. Se não for dada, como manda o contrato, vou a Brasília buscar o dinheiro com o PT”.
Aqui, abro um outro parênteses: Presumo que o significado de “vou a Brasília buscar o dinheiro com o PT” seja apoiar todas as ações do partido do governo federal, não só para as eleições para prefeito como para governador em 2014. Fecho parênteses.
Minha opinião. Petraglia está com toda a razão. Richa e Ducci estão fugindo do compromisso que assumiram em nome do governo do Estado e do município. Com fins exclusivamente políticos, ajudaram a empurrar o Atlético para essa empreitada e agora não cumprem o que se obrigaram.
O problema deixou de se limitar à responsabilidade de Petraglia. Passou, definitivamente, a ser do Atlético e de todos os atleticanos. Sem uma solução imediata do poder público, como as circunstâncias exigem, o Atlético, como instituição, precisa tomar uma posição oficial, denunciar o que está ocorrendo. Não é justo que só o clube cumpra com a sua obrigação, como já fez, investindo 30 milhões de reais e dando como garantia o CT do Caju, e não receba a contraprestação dos governantes.