Um copo jogado da arquibancada por sua torcida empurrou o Santos para fora da Vila Belmiro por dois jogos. Bom para o Atlético, sem dúvida. Nos gramados esburacados do interior paulista, o Santos deve aumentar o risco de perda contra Criciúma e Fluminense.
Mas um forte aviso para a sua torcida, que às vezes, imagina ser inofensivo um barquinho de papel. O STJD não vai mais diferenciar a natureza do objeto jogado: um copo, uma folha de papel ou uma pedra terão o mesmo peso. Para o julgamento importa o ato de jogar.
Boa lição, também, para os dirigentes do Atlético, que às vezes, buscam corrigir a arbitragem depois de um fato consumado. Já era esperada a punição do Santos.
Não por ser reincidente. Por isso, foi punido por duas partidas. Mas porque a imagem da televisão hoje sobrepõe a própria súmula do árbitro. Basta mostrar o fato que corrige qualquer omissão da súmula. O dirigente, e aí não é só do Santos, precisa ganhar consciência de que a torcida age, voluntariamente ou não, em nome do clube. Este é quem paga a conta.
O STJD fazendo justiça é bom que se diga, praticou dois atos que alcançam o Atlético: afastou o Santos da Vila Belmiro, e mostrou aos rubro-negros como devem se comportar na Arena.
E perda de mando à essa altura do campeonato é uma conta que tem peso. Pode até ter o peso do próprio título.
Incentivo
O treinador Paulo Campos gosta de falar. Quando deve e quando não deve. Ontem garantiu que o Paraná derrota o Atlético na Arena.
Faltou-lhe uma indagação do repórter: por que falar com certeza? Embora seja coisa de falastrão, Paulo falou o que deve à essa altura do campeonato. Quer provocar muito mais os seus jogadores do que os atleticanos. Presumo que Paulo tenha a consciência de que vencer o Atlético na Arena é um fato extraordinário, ao qual em tese ninguém tem acesso neste momento.
Mas Paulo pode ter falado demais.
De repente, tirou do Atlético a certeza de vitória. E buscando naturalmente a vitória, o Furacão torna-se invencível na Arena.