Baralho

Não faz muito tempo, escrevi que uma solução imediata para tirar a carga política da construção da Baixada seria o fim do conflito de interesses entre o Petraglia presidente do Atlético e o Petraglia presidente do CAP/SA, gestora da obra. Houve quem reagisse com indignação.

Um mês depois, e surge um jogo político de empurra. Eis a grande verdade: o limite do dinheiro a ser liberado pela Fomento à CAP S/A é de R$ 90 milhões, dos quais R$ 30 milhões já foram gastos pela gestora. Restam R$ 60 milhões. A obra está orçada em R$ 184 milhões, mas não sai por menos de R$ 220 milhões. Só a cobertura e o teto retrátil irão custar R$ 20 milhões de reais.

Se não bastasse a brutal diferença entre o limite da obrigação estatal e o valor final da obra, agora o futuro prefeito Gustavo Fruet comunica oficialmente que “não se convenceu do contrato para a adequação da Baixada”. Se o futuro prefeito não nega publicamente as suas dúvidas, que lhe gera insegurança, o atual que está saindo fica em desconforto em resolver a questão. Na melhor das hipóteses, soube que Fruet vai deixar tudo como está: confirmar o valor atual, mas não concede o reajuste pretendido. E aí, o Atlético terá que bancar a obra, como o próprio Petraglia garantiu na CPI. Esses são os fatos.

Darei minha opinião depois de pesquisar as obras do maior advogado de direito administrativo do Brasil, que é o Dr. Marçal Justen Filho, curitibano da gema, atleticano de coração. O Atlético tem direito de exigir o reajuste da obrigação do município, para que o contrato tenha equilíbrio financeiro. Do contrário, sobe o custo da obra em desproporção ao valor do dinheiro acertado há quase dois anos.

Todas as soluções são viáveis e possíveis, inclusive as políticas. Mas a presença de Petraglia no comando causa constrangimento.

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