Na Baixada do Atlético, Paraná 1×0 Internacional. Recorde de público: 39.414 pagantes. Por não guardar meus sentimentos, confesso: a Baixada, por algum tempo, não será a mesma. O que era para ser um jogo, transformou-se em uma verdadeira saga do Paraná por conta da sua torcida. As arquibancadas receberam um banho de alegria e de respeito à dignidade humana. Por serem livres, os tricolores provocaram inveja. Não a inveja no sentido do querer o mal, mas como trânsito para provocar lembranças de quem já foi livre, fez festas maiores, mas hoje está com os sentimentos amputados pelo arbítrio.
Foi bonita a festa, pá! cantaria Chico. Na Baixada, os tricolores não deixaram cravo, “só um cheirinho de alecrim”. É bem possível que foi uma festa como essa, que provocou o saudoso escritor uruguaio Eduardo Galeano escrever: “A memória guardará o que valer a pena. Ela não perde o que merece ser salvo”.
Com certeza foram momentos como esses na Baixada, que inspiraram a poesia de Carlos Drummond de Andrade: “Futebol se joga no estádio? Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma”. Pois afirmo, que futebol, também, às vezes, se joga na Baixada. E o Paraná jogou.
O seu primeiro tempo foi irrepreensível. Ocupando espaços, marcando no campo do Inter, jogava em velocidade com Renatinho e João Pedro pelos lados. No equilíbrio, um lance isolado decide. Foi a bola que Maidana pegou de cabeça e venceu Fernandes no gol que acabou sendo o da vitória.
Parecendo refém da emoção, o Tricolor recuou, jogando o segundo tempo atrás. Mas conseguiu controlar o Inter sem passar por traumas. E os tricolores foram embora felizes. Parece que cada um era o filho pródigo da parábola de Cristo. Lembraram a poesia de Fernando Pessoa: “Só de sentir o vento passar, já valeu a pena viver”.
Essa coluna é uma homenagem ao Paraná Clube.