Há quatro anos, sempre no mês de abril, há um fato que adormecido, às vezes, esquecido e até quase morto, volta com toda a intensidade: o balanço contábil do Atlético, e que inclui, a CAP S/A, sempre é surpreendente. E preocupante.
Neste abril, a empresa de auditoria BDO RCS, que se apresenta como independente, lançou que o valor da dívida com a Fomento Paraná pela construção da Baixada, está em 390 milhões de reais. Os auditores não explicam se esse valor é o de face ou já com os encargos dos processos de execução. Deveriam fazê-lo.
Mas o que deveria provocar a apreensão dos atleticanos é a informação da auditoria de que o clube negocia a emissão complementar de 133 milhões de reais em potencial construtivo. Essa informação é hipótese, e hipótese estando no campo da suposição, não pode ser considerada em um balanço contábil.
A BDO confirmou junto ao Município de Curitiba, que essa hipótese é um fato verdadeiro? Deveriam confirmar. Será que os auditores desconhecem que a emissão de potencial construtivo depende de um lei específica? Deveriam conhecer.
Outro elemento do balanço que está sendo repercutido é um crédito de Mário Celso Petraglia no valor de R$ 2.852.256,00. Esse valor seria originário de um empréstimo que fez na aquisição pelo clube do terreno do colégio. Eu sei bem da história, e posso garantir: Petraglia pagou esse valor através de uma empresa criada em seu nome especificamente para adquirir o imóvel. Mas, também, garanto: com dinheiro da venda do atacante Lucas para o Rennes, da França, o Atlético pagou os mútuos contratados com todos os dirigentes. Em maio de 2002, quando assumiu sozinho o Atlético, Petraglia contabilmente não tinha um único centavo de crédito.
Mas a questão principal, como eu disse, não é essa. É outra e muito grave e de acordo as normas que regem os auditores compromete o balanço: não existindo nenhum lançamento contábil precedente, a auditoria não poderia lançá-lo sem uma justificativa. Da forma como foi lançada, criaram-se um crédito e um credor. Assim, sem nenhuma justificativa, hoje foram R$ 2.852.256,00. Amanhã pode ser 20 milhões.
O outro fato, e aí já é jurídico, quando o problema, aqui, é de aparência e fundo moral, mas que deve ser considerado: Petraglia já não tem mais direito de receber esse valor, porque sendo ele de um negócio que ocorreu em 1999, já está prescrito. O doutor não precisava provocar esse fato.