Em geral, quando o senhor Onaireves Nilo Rolim de Moura era preso, o essencial era dito: é preciso um novo presidente para a Federação Paranaense de Futebol. E era repetido.

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Mas a hipocrisia dos dirigentes de clubes, e de boa parte da imprensa, sempre concorreu para que esse estado de coisas fosse inalterado: Moura já foi e já saiu duas vezes da prisão, mas, no entanto, está lá faceiro na presidência da Federação Paranaense de Futebol.

Não quero conduzir o leitor, mas lhe provoco a recordar o que foi escrito sobre futebol nos últimos quinze dias.

O personagem principal do noticiário, quem é? Onaireves Moura: entrevistas, fotos de frente, de perfil direito e de perfil esquerdo, fotos de corpo inteiro. Suas palavras são impressas em negrito ou em itálico. É tratado como o rei do pedaço.

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Agora, Moura rompeu com Giovani, e desdenha o Coritiba. Achou mais conveniente, que, para a continuação da fraude chamada ?Pinheirão?, é mais fácil aliar-se a um professor de ética, embora o senhor José Carlos Miranda esteja vulgarizando publicamente o nobre título de professor. Neste aspecto não sejamos injustos: não teria ninguém melhor para ensinar ética a Moura do que o professor Miranda da forma como anda se conduzindo.

Se não bastasse o conteúdo desse balaio, eis que, à luz do dia, espetacularmente surge um novo personagem, como o ?homem-chave? da fraude chamada ?Pinheirão?, Marcelo Vieira Pinto, cujas manhas e artimanhas já o tornaram figura carimbada de Brasilia. Para se ter uma idéia aparente de quem se trata, Moura é um anjo comparado ao novo integrante do balaio. O leitor que seja humilde, e não queira ter uma idéia profunda de quem seja Vieira Pinto.

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E aí entra boa parte da imprensa de Curitiba, que resume a sua atuação ao óbvio, que é a notícia. Não investiga o que motiva essa fraude, ou se investiga, não a denuncia. Sugeri um dia que a Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná tivesse a iniciativa nobre de ir à Justiça e pedir uma limpeza na FPF. Soube agora, que a Acep quebrada, foi pedir a cessão de uma sala, sem ônus, no Pinheirão para ficar sediada.

E, aí, entram alguns políticos do PMDB como Maurício Requião, que se aproveita do mau momento do Palácio Iguaçu, e o induz a erro para indicar o Pinheirão como local adequado para a Copa do Mundo. E, aí, entra ou não entra, o Ministério Público, que embora se depare com a publicidade desses fatos, e embora tenha legitimidade para agir, omite-se.

Mas nas últimas horas surgiu uma esperança. O STJD, por seu procurador Paulo Schmitt, denunciou Moura e toda a diretoria da FPF por ilícitos desportivos. Nunca um processo desportivo teve provas tão conclusivas contra os denunciados, como esse contra a FPF. Depois, a última esperança será o governador em exercício Orlando Pessuti, que não vai querer entrar para a história como o governador que deu o aval à maior fraude do futebol paranaense.