Baixada, 29 de abril

A maioria dos conselheiros do Atlético queria saber o básico de Petraglia: onde está o dinheiro da venda de Marcelo, Manoel, Douglas Coutinho e Nathan? Bastava Petraglia dizer que está usando para pagar a divida do estádio – e o usa, também, para administrar o clube. Queriam saber como será explorada a Baixada? Bastaria Petraglia dizer que o momento econômico impede a execução dos projetos. E queriam saber outras coisinhas simples, como por exemplo quando que vai terminar o sacrificio da torcida que é ver Natanael, Kadu, Eduardo, Jadson e Douglas Coutinho?

Mas ao invés de responder, inspirado na cartilha de Beto Richa que ensina como bater em professores, Petraglia deu de dedo nos conselheiros, estimulando a reação violenta de alguns dos seus seguidores medíocres, que já são a minoria. Resultado: a noite que era para o Atlético se conciliar com a transparência foi transformada no seu “29 de abril”.

Petraglia já não tem mais o apoio popular, pois os fracassos no campo fazem torcida identificar a sua imagem como a de um negociante em causa própria. Se não bastasse, a torcida organizada Ultras ganhou o direito de voltar a Baixada, obrigando o clube a acomodá-la para não descumprir ordem judicial. O Furacão esta ardendo.

Escrevi ontem aqui que Mário Celso Petraglia está solitário. Olha para a direita e vê Marcio Lara correndo para beijar-lhe as mãos para receber seu salário; olha para a esquerda e vê Tataio Bettega correndo para lavar-lhe os pés. Para frente, vê Mauro Holzmann fazendo gestos com a mão pedindo um troco de 60 moedas.

Nem precisa olhar para trás, pois já não tem sequer um traidor, de tão solitário. E quem conhece a história dos grandes ditadores, dá-lhe razão. Stalin, o mais sanguinário deles, escreveu em suas memórias que há um momento na vida do ditador que ele precisa de alguém do lado para debater e confrontá-lo. Não tenham dúvidas os atleticanos: Petraglia está achando que a sua vida dentro do Atlético está perdendo a graça.

E para o Atlético isso é ruim. Mais grave: a sua oposição é mixuruca, sem um nome que atenda os interesses imediatos do Atlético, que vão bem mais longe do que a mediocridade tese time.

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