Querido Ivan,
Um dia desses escrevemos uma carta e você não respondeu. Lembramos da importância que você imprimia na vida dos seus amigos. E que sem você o encontro do meio-dia na Boca perderia a sua razão.
Agora, 21h30, ficamos sabendo que você resolveu ir mesmo embora. E que por um motivo que não contou, foi para não voltar. Deixou-nos um vazio e a bandeira do Atlético a meio pau.
Sabe Ivan, você foi uma pessoa especial. Daquelas que nem pensamos que existe, e daí, sem explicação, entram em nossas vidas para nunca mais serem esquecidas.
Por que foi embora, Ivan?
Desconfiamos que você fez isso de caso pensado. Já cansado, como todos nós, de esperar pelas vitórias naturais do Furacão para escapar da Segunda Divisão, resolveu ir pessoalmente pedir uma benção divina.
Então Ivan, não esqueça que o Atlético precisa no mínimo de 4 vitórias. Sei que recorrer a Deus para resolver essas coisas, às vezes, é pecado. Mas não se o pedido partir de você.
Obrigado por tudo Ivan.
Seus amigos (coxas e tricolores, inclusive)
História
Ivan Pereira foi para o Atlético em 1942. Foi goleiro titular depois que o imortal Caju e Laio (goleiro do time do Furacão), abandonaram o futebol.
Não se tem notícia de alguém que tenha sido mais fiel ao Atlético do que Ivan. O fim de carreira não foi pretexto para não ir mais ver os jogos de seu time do coração. Até um dia desses, antes de ser hospitalizado, estava firme na Baixada.
Tinha um costume: sair 5 minutos antes do final do jogo, quando o Atlético estava à procura do empate ou da vitória. O gol esperado, quando acontecia, ele ouvia pelo rádio.