Baixada, 19h30

A partir da noitinha de hoje, na Baixada, o Atlético, contra o argentino Newell’s Old Boys, pela Sul Americana, terá que começar a descarregar as incertezas inerentes a um time que mais treina do que joga.

E se esse Furacão de jogo incerto precisa submeter-se à uma provação definitiva, não vai existir uma oportunidade mais especial como essa de jogar contra um time argentino.

Concordo: o Newell’s Old Boys andava sumido, à margem do cenário de ponta. Com pouca tradição, vive mais da referência de ter abrigado o final de Maradona, e ter a primeira camisa vestida por Messi quando criança.

Mas essa pouca expressão não o afasta dos fundamentos centrais da cultura argentina de jogar futebol, que é a ocupação de espaço e pressionar pela superação física, e o jogo, com a bola, em velocidade.

As imagens que tenho desse Atlético são confusas. A incerteza no futebol, às vezes, aumenta a emoção. Gostaria de adotar a imagem do primeiro tempo da vitória sobre o São Paulo (2×1). Mas, aí, surge aquela imagem de um time que, para atender ordens do técnico, obriga-se a correr muito, e às vezes, correr mais do que pode, atraindo a exaustão física antes do final.

É jogo que pelo horário das 19h30, pela importância da Sul Americana e pelo preço do ingresso é para atrair uma multidão.

Emoções

Entre os fatos mais emocionantes do futebol está o imprevisto. Não importa a natureza da emoção se positiva ou negativa: o imprevisto é capaz de arrebentar qualquer sentimento.

O mundo do futebol já estava perplexo com a eliminação da Liga dos Campeões, do Barcelona pelo Roma, mesmo o time catalão podendo perder por dois gols de diferença. E ontem obrigou-se a submeter as suas emoções à proposta ambiciosa da Juventus eliminar o Real Madrid no Santiago Bernabéu.

Com 3×0 para os italianos, o imprevisto passou para o lado do Madrid. Só o juiz e Cristiano Ronaldo poderiam derrotá-lo no último minuto. O juiz marcou um pênalti e expulsou o goleiro Buffon, fazendo o serviço que Cristiano arrematou.

O mundo está discutindo: foi pênalti ou não?

Imagine o lance do outro lado: o arbitro faria o serviço para a Juventus fazer o quarto gol que precisava?

E se tivesse o árbitro de vídeo no Bernabéu?

Todos nós estaríamos pensando, discutindo e escrevendo sobre o óbvio. Não há nada mais sem graça.

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