Baixada, 16 horas

Pela Copa do Mundo, Irã e Nigéria jogam na Baixada.

Visto pelo ângulo técnico, é um jogo sem expressão. É que os dois, em especial o Irã, não estariam jogando essa Copa do Mundo, se o critério fosse um torneio por tradição técnica. Por isso, o futebol não permite que nenhum dos dois olhe muito adiante o grande torneio.

Mas por ser extravagante e provocar choques de conceitos, o futebol faz com que Irã e Nigéria joguem uma partida histórica.

Se for ao Maracanã, o torcedor ficara encantado. A arena mais histórica é bela e quase perfeita. Mas, daí, será dispensado de ir às outras arenas, porque por obedecerem uma convenção arquitetônica quase padrão, são todas quase iguais.

Mas esse torcedor, um dia terá que vir a conhecer a Baixada, para não privar-se de ter conhecido o mais belo de todos os estádios construídos para a Copa do Mundo. Terá, também, que conhecer a sua beleza interior, aquela que não se vê, que é, ainda, mais encantadora. Irá saber que a beleza que foi alcançada e que é vista pela projeção e distribuição de cimento, tijolos e concreto foi resultado do amor de uma torcida.

Nenhuma outra associação teria condição de fazer essa obra. Não bastava ter o dinheiro para ir buscar, como teve. Era necessário ter condições estruturais e cadastrais para ir tomá-lo. Foi esse amor do povo atleticano que escreveu a história, que pagou dívidas, construiu e manteve um patrimônio sem nenhum gravame, permitindo usá-lo, agora como garantia, para entregar essa Baixada.

Visto sob o ângulo técnico, Irã e Nigéria fazem um jogo sem expressão. Mas, às vezes, a expressão está na marca que é gravada na história, tornando todo resto irrelevante. Sem o Atlético não haveria Copa do Mundo em Curitiba.

Explicação

Os espanhóis não querem aceitar como definitiva a conclusão de que essa geração alcançou o limite. Talvez, porque o futebol estava tão carente de arte, houve um excesso na avaliação futura. Esqueceu-se que no futebol, é como na vida: vive-se de ciclo. E a Espanha, por tradição, nunca foi uma renovadora sistemática de gerações talentosas de jogadores.

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