Foi lá na Arena, outra vez: o Atlético pegou o Paraná e para os padrões atuais de equilíbrio deu-lhe uma goleada: 4 a 0.
E nem pensem que foram números sofridos que exigiram um sacrifício. Aliás, foi sem sacrifício e sem trauma: a partir de linhagem tática de Vadão sobre o emotivo Caio Júnior, o que se viu foi aquilo que os antigos de arquibancada chamam de baile.
Foi mesmo um baile, mas não com esses ritmos alucinados de hoje, mas no ritmo metódico, mais ou menos na espécie do vai-da-valsa. Tudo que é feito com método, significa superioridade.
Então, por questão de princípio nego-me a escrever sobre o jogo como jogo de competição, aquele que o resultado provém de um trabalho antecedente ou das circunstâncias da ocasião. Divagar sobre a completa submissão tática do Paraná ao jogo objetivo do Atlético, do desequilíbrio que causam juntos Denis, Ferreira e Marcos Aurélio, mesmo com língua-de-fora, seria narrar o óbvio, enganar o leitor, gastar papel e perder tempo.
Foi uma goleada tão fácil que, às vezes, o amplo e irresistível domínio atleticano se tornou quase irritante para quem esperava um jogo de iguais.
Por isso, diria até que se não fosse o gol de Denis Marques, seria uma goleada com graça, mas sem muita emoção.
Quem não esteve nos últimos jogos na Arena, não pode dizer que viveu tudo na vida. Contra o Nacional de Montevidéu, já foi aquela obra do gol de Marcos Aurélio por causa do passe de letra de Denis. Agora, contra o Paraná, Denis foi além do poder do artista: sozinho, driblou em linha toda a zaga do Paraná, para com um toque de magia vencer o grande Flávio.
Quando o artista extrapola limites, cria uma obra antológica.