Azarão

Agora, que a maré está na vazante começamos a ver fantasmas.

O futebol colombiano, secundário na escala das grandes escolas, consegue nos provocar o que seria ironia antes da Copa começar: a angústia da dúvida da derrota possível. E já nem podemos mais recorrer com a mesma intensidade da tradição para nos proteger dessa angústia. É que a tradição está sendo ignorado, fato que mandou para casa campeãs como Espanha, Itália e Inglaterra.

E a Colômbia, como bem escreveu Ramon Besa, jornalista do espanhol do El País “joga como os anjos, fresca, divertida e harmônica, doce e nada enjoativa, venenosa quando ataca tensa quando defende, deliciosa com a bola nos pés, a nova rainha do Maracanã”.

E nem se diga que o excepcional jogo contra os uruguaios foi uma exceção. Antes, os colombianos já tinham oferecido mostras de brilhantismo. A sociedade entre Cuadrado e James Rodríguez no meio campo, tem o que o nosso time está sentido falta: talento e inteligência para trabalhar a bola e organizar-se. Se tivéssemos um James Rodríguez não iriamos precisar viver de jogadas isoladas de Neymar, que estão se tornando episódios de um grande drama.

Felipão diz que a partir de agora “será à sua maneira”. Então, a angústia deve entrar para o estágio do medo. A maneira de Felipão é a pressão pela emoção, a “falta tática”, a espera pelo erro adversário, a bola parada e a briga contra a arbitragem. É a maneira como o Uruguai tentou enfrentar a Colômbia: sem os dentes de Suárez, tornando a bola um elemento desprezível, quis se impor com o corpo.

É exatamente essa a minha conclusão: o Brasil virou o azarão.

Talvez esteja aí a nossa única esperança.

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