Avanço

O fato só é inusitado no futebol brasileiro, em que se estimulam as soluções pelo imediatismo e pelo improviso. Afastando-se desta cultura, a decisão do presidente Giovani Gionédis em manter Antônio Lopes no comando técnico do Coritiba é racional, mesmo que tenha coincidido com a fase de absoluta irregularidade do time, para a qual o treinador concorre diretamente.

A renovação de Lopes prova que a influência das arquibancadas deixou motivar decisões no Coritiba. Já é um avanço para um clube que certa vez gritou pela permanência de um treinador (Abel Braga) em prejuízo de um presidente (João Jacob Mehl).

Com Paulo Bonamigo não foi diferente. Mal na primeira temporada, bancado pela autoridade de Giovani contra os apelos da torcida, foi brilhante em 2003, quando classificou os coxas para a Libertadores da América. Lopes não é muito diferente de Bonamigo. Entre os dois há identidade. Nenhum é de ponta, embora Lopes seja de prestígio.

O fundo racional da decisão de Giovani não é só dar continuidade ao trabalho que o clube entende correto. Está em antecipar a solução que teria que dar em dezembro. Toda a solução dada às vésperas da temporada é de emergência, de natureza improvisada e, por isso, de risco para ficar próximo ao erro.

Bem que o Atlético deveria provocar Levir Culpi para a renovação. A obrigação do Atlético em tentar antecipar a renovação de Levir é bem mais necessária do que a do Coritiba tinha em relação a Lopes. Levir prova a cada dia o estágio avançado que alcançou na carreira. Sério como homem, sempre atualizado como treinador, não pode ter atrelada à sua permanência a conquista do título. Pode ser – é uma hipótese -, que com um outro treinador o Atlético alcançasse a liderança. É absolutamente certo, porém, que o trabalho de Levir está sendo fundamental para o estágio conquistado. É que Levir trata de tudo, inclusive da alma dos jogadores.

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