O Coritiba volta da sua pré-temporada sem vencer o Foz (0x0) e perdendo pra o Toledo (1×0), times que lembram as empreitadas de peões três meses. Pode ser irrelevante, mas, tratando-se do Coritiba dos últimos, não é.

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Avaliar é uma arte, no futebol tornou-se uma ciência. Por essa natureza para ser executada reclama conhecimento, inteligência, transigência e seriedade. Só com o exercício pleno da avaliação pode se diagnosticar o problema. A ausência de qualquer um desses pressupostos, esse caráter científico desaparece, ingressando, então, no campo minado da especulação.

Se os coxas de arquibancada estão em dúvida, quase pessimistas em relação ao inicio da temporada, sobram-lhes razões. O futebol é pródigo em oferecer redenção imediata sem exigir muita penitência. Basta fazer o mínimo razoável. Mas a diretoria parece ignorar esse fato. É alarmante que após passar o ano dominado pelo terror de mais um rebaixamento, o Coritiba não avaliando fez pior: aumentou a dose do mais do mesmo, com a saída do artilheiro Henrique Almeida e a contratação de Gilson Kleina, treinador de histórico assustador com vários rebaixamentos. A torcida não é ingênua: o risco da contratação de Kleina é extraordinariamente potencializado por esse histórico. É um técnico sem direito de perder, em qualquer época, mesmo sendo pré-temporada, e em qualquer circunstância. Qualquer sequência estranha de resultados, o que seria natural em inicio de ano, vai provocar no mínimo uma dúvida. E a tendência de dúvida no futebol é sempre para pior.

Essa é a consequência da especulação. Os dirigentes desprezam as circunstâncias que ambientaram o momento que salvou o clube da queda: mais do que técnica, a presença de Pachequinho arrumou a emoção de um time já caído. As vitórias sobre Palmeiras e Santos foram muito mais consequência do benefício de jogar contra reservas, do que de uma evolução técnica. Quando os fatos casuais são supervalorizados, é lição de vida, damo-nos mal.

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Se fosse bem avaliado, o Coritiba, pelo menos, teria o direito de perder neste janeiro.