Já passaram 48 horas que o Atlético foi goleado pelo Santos, no Pacaembu: 4 x 1. A derrota, então, é fato envelhecido. Mas alguns motivos, ainda, estão presentes. Não podem ser desprezados.
Há um que poucos querem perceber, mas que a essa altura do campeonato se torna imediato: o time que naturalmente não é bom, vai se deteriorando ainda mais pela falta de colaboração do treinador Antônio Lopes.
Não é o culpado direto pela atual situação, concordo. Mas também não se pode negar que concorre para a cada rodada aumentar o risco de rebaixamento.
O time é fraco, é fato notório. Mas há técnicos que conseguem compensar as deficiências individuais de um time com a organização de jogo. Lopes, além de não ter conseguido, piorou em relação a Renato Gaúcho, a quem sucedeu.
Contra o Ceará, por ser mal colocado em campo, o Atlético só ganhou porque Paulo Baier acertou um chute de bola parada. Escalou mal o time contra o Santos. Colocou o lento Wendel, sob o pretexto de que “tem um bom passe e sabe marcar”. Wendel não sabe nada, nem passar e nem marcar.
A avaliação equivocada de Lopes abriu o buraco pelo qual o craque santista arrasou o time rubro-negro. E se o meio-campo tinha que mudar, era para melhorar a marcação. Ao contrário, com Marcinho, um meio que já tinha o folgado Cléber Santana e o perdido Baier, passou a dar mais espaços, tornando a goleada absolutamente previsível. Os zagueiros, coitados, toda hora ficaram sozinhos frente ao ataque santista. Renan Foguinho, outra vez, foi vitima das avaliações errôneas do treinador.
Como Lopes quer que o Atlético jogue? Nem ele sabe. É principio fundamental para o contra-ataque, não o meio-campo ofensivo, mas a tomada de bola pela marcação, para criar a ocasião da jogada de ataque em velocidade.
O mais grave é que os atleticanos continuam absorvendo tudo, como se Lopes fosse apenas uma vitima dos erros passados. Tudo, a essa altura, é tratado como natural e inatacável: os erros de Lopes, a irresponsabilidade de Cléber Santana, a preguiça de Marcinho e a mediocridade do atacante Nieto, para quem a bola é um instrumento que lhe dá medo. Já passou da hora de Lopes ser cobrado. Ou o Atlético já jogou a toalha e todos estão disfarçando?
Não é pela derrota para o Santos, mas porque ninguém quer ver que Lopes não só não melhorou o time, como acabou com o razoável conjunto que Renato Gaucho havia deixado.